{"id":240956,"date":"2022-03-16T11:08:08","date_gmt":"2022-03-16T10:08:08","guid":{"rendered":"https:\/\/fperecasaldaliga.org\/?p=240956"},"modified":"2022-04-24T17:58:12","modified_gmt":"2022-04-24T15:58:12","slug":"pedro-casaldaliga-poeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fperecasaldaliga.org\/pt-br\/pedro-casaldaliga-poeta\/","title":{"rendered":"Pedro Casald\u00e1liga: poeta"},"content":{"rendered":"<p>Gostaria de evocar aqui a mem\u00f3ria de Pedro Casald\u00e1liga, tentando esbo\u00e7ar um pouco de sua figura multifacetada, concentrando-se em tr\u00eas caracter\u00edsticas de sua personalidade: seu ser poeta, seu ser profeta e seu ser pastor. Combinando os tr\u00eas -que se iluminam e se alimentam mutuamente- e por meio de uma &#8220;f\u00f3rmula&#8221; introdut\u00f3ria, eu diria: <strong>Na vida de Pedro, a palavra po\u00e9tica torna-se um an\u00fancio e uma den\u00fancia prof\u00e9tica, expressada com total claridade, como sendo a obriga\u00e7\u00e3o de quem tem o dever de pastorear um povo cuja dignidade foi espezinhada.<\/strong><\/p>\n<h4><strong>1. Pedro-poeta<\/strong><\/h4>\n<p>Em primeiro lugar, o Pedro-poeta a partir do qual ele se definiu muitas vezes:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA poesia tem significado e significa muito para mim. \u00c0s vezes penso que se eu sou alguma coisa \u00e9 isso, um poeta. E que mesmo como religioso e como sacerdote e como bispo, sou um poeta. Eu sinto, digo ou fa\u00e7o muitas coisas porque sou poeta. Voc\u00ea sabe que <strong>para mim poesia \u00e9 a palavra emocionada, a realidade intu\u00edda e expressada em uma palavra de emo\u00e7\u00e3o<\/strong>.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>(T. Cabestrero, Di\u00e1logos en Mato Grosso con Pedro Casald\u00e1liga, Salamanca, S\u00edgueme 1978, 175).<\/p>\n<p>Poesia, acrescento, para cantar a beleza sem tentar dissec\u00e1-la, e poesia para gritar tanta dor sem banaliz\u00e1-la.<\/p>\n<p>Pedro-poeta encontrou em seus versos-sem-verso a sua sa\u00edda e o nosso consolo. Ele descobriu os logos po\u00e9ticos como uma arma pac\u00edfica para se defender e explicar: <em>\u201cDepois do sangue, a palavra \u00e9 o maior &#8220;poder&#8221;. Atrav\u00e9s dela se diz a si mesmo e diz o Universo, o Pr\u00f3ximo, o Povo, a Morte, a Vida, Deus, calorosamente\u201d<\/em> (T. Cabestrero, El sue\u00f1o de Galilea. Confesiones eclesiales de Pedro Casald\u00e1liga, Madri, Claretianas 1992, 131).<\/p>\n<p>A trav\u00e9s de uma palavra po\u00e9tica que nasce dos l\u00e1bios bem abertos e os punhos bem apertados,<strong> Casald\u00e1liga nomeou, resgatou e recriou tudo (natureza, homem, hist\u00f3rias,&#8230;) a partir da sua profunda experi\u00eancia do Mist\u00e9rio<\/strong> -com letra mai\u00fascula- que o transformou em um verdadeiro m\u00edstico \u201cde olhos abertos\u201d (J.B. Metz), ou seja: aquele que suspeita e descobre Deus onde Ele n\u00e3o parece estar: no cinzento sem sentido e no sofrimento inocente.<\/p>\n<p>Lendo sua poesia, descubro que existe, por um lado, uma necessidade inevit\u00e1vel de nomear o Mist\u00e9rio (em linguagem n\u00e3o dogm\u00e1tica) e, por outro lado, um modesto respeito pelo \u00daltimo para evitar manipul\u00e1-lo e n\u00e3o tentar esgot\u00e1-lo ou defini-lo. Para iluminar o primeiro, como testemunha de um Mist\u00e9rio que o envolve, o transborda e o impulsiona a se comunicar, basta lembrar:<\/p>\n<p>\u201cYo hago versos y creo en Dios.<br \/>\nMis versos<br \/>\nandan llenos de Dios, como pulmones<br \/>\nllenos del aire vivo\u201d.<\/p>\n<p>Primeiro ele se declara poeta&#8230; e depois crente!<\/p>\n<p><strong>A realidade \u00e9 que Pedro est\u00e1 cheio de Deus<\/strong>. Seus pulm\u00f5es, suas entranhas, seus desejos est\u00e3o cheios de Deus e por isso ele precisa compartilhar esta Boa Nova. Falando de si mesmo, ele reconhece:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cSe eu n\u00e3o falasse de Deus e de Jesus seu Filho, sentir-me-ia como um traidor, mudo, morto. Dist\u00e2ncias apost\u00f3licas salvas, \u201co que seria de mim se eu n\u00e3o evangelizar\u201d, o que seria de mim se eu fizesse poesia que n\u00e3o fosse evang\u00e9lica, que n\u00e3o evangelizasse!\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>(T. Cabestrero, El sue\u00f1o\u2026, 133).<\/p>\n<p>O Mist\u00e9rio deve ser dito porque \u00e9 uma parte essencial da vida; ele deve ser preservado, gritado e mantido em sil\u00eancio:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>EL MISTERIO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Os quedar\u00e9is sin la vida<br \/>\nsi le quit\u00e1is el misterio.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Hay que salvar el aroma<br \/>\nde la madera cortada.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">La mano de Dios confina<br \/>\ncon las murallas del mundo,<br \/>\ncon la esperanza del hombre.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Jugarse el tipo, de gracia,<br \/>\ncomo los ni\u00f1os que juegan.<br \/>\nServir bajo el d\u00eda a d\u00eda.<br \/>\nCrecer contra la evidencia.<br \/>\nDecir siempre una palabra<br \/>\n\u00faltima de lucha, para<br \/>\ncaer luego de rodillas<br \/>\nen silencio.<\/p>\n<p>Sil\u00eancio e palavra; palavra e sil\u00eancio:<\/p>\n<p>\u201cDerramando palabras,<br \/>\nde mis silencios vengo<br \/>\ny a mis silencios voy.<br \/>\nY en Tus silencios labras<br \/>\nel grito que sostengo<br \/>\ny el silencio que soy\u201d.<\/p>\n<p>E <strong>neste derramar de palavras que procuram nomear o Inam\u00e1vel, o poeta est\u00e1 consciente do risco constante de manipula\u00e7\u00e3o em que corremos quando falamos do Totalmente Outro<\/strong>:<\/p>\n<p>\u201cComo podemos deixar voc\u00ea ser apenas voc\u00ea mesmo, \/ sem reduzi-lo, sem manipul\u00e1-lo?\u201d.<\/p>\n<p>Manipula\u00e7\u00e3o que muitas vezes anda de m\u00e3os dadas com o fato de confundir Deus com <em>nossas<\/em> experi\u00eancias e representa\u00e7\u00f5es, sempre nossas e portanto sempre fal\u00edveis, sempre gaguejando, como ele escreve em uma de suas &#8220;Antifonas&#8221;:<\/p>\n<p>\u201cDirei de ti \/ minha \u00faltima palavra \/ (Sempre pen\u00faltima \/ e sempre minha)\u201d.<\/p>\n<p>Quanto temos para aprender aqueles que temos a possibilidade de falar de Deus: bispos, padres, te\u00f3logos, catequistas, pregadores&#8230; Ser\u00e3o sempre nossas palavras interpretando o Inef\u00e1vel, pois conhecemos verdadeiramente Deus&#8230; mas o conhecemos como conhecemos todas as outras realidades: \u00e0 maneira humana.<\/p>\n<p>Para concluir esta primeira abordagem, gostaria de citar algumas palavras do pr\u00f3prio Casald\u00e1liga, nas quais ele define sua voca\u00e7\u00e3o po\u00e9tica:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA poesia \u00e9 a resposta sensibilizada a tudo e a todos, em um encontro que pulsa a alma e compromete as op\u00e7\u00f5es.\u00a0<strong>A minha pr\u00e1tica po\u00e9tica \u00e9 &#8220;no caminho&#8221;<\/strong>: vivendo, tocado por um momento forte, movido por um encontro, por uma leitura, evocando, sonhando com o amanh\u00e3, rezando\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>(T. Cabestrero, <em>O sonho<\/em>&#8230;, 131).<\/p>\n<p>Uma poesia, eu diria, nascida de um cora\u00e7\u00e3o peregrino e amoroso, e de p\u00e9s cansados e descal\u00e7os, como sugere no poema \u201cPensa tamb\u00e9m com os p\u00e9s\u201d:<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong>PIENSA TAMBI\u00c9N CON LOS PIES<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: center;\">Piensa tambi\u00e9n<br \/>\ncon los pies<br \/>\nsobre el camino<br \/>\ncansado<br \/>\npor tantos pies caminantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Piensa tambi\u00e9n, sobre todo,<br \/>\ncon el coraz\u00f3n<br \/>\nabierto<br \/>\na todos los corazones<br \/>\nque laten igual que el tuyo,<br \/>\ncomo hermanos,<br \/>\nperegrinos,<br \/>\nheridos tambi\u00e9n de vida,<br \/>\nheridos quiz\u00e1 de muerte.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Piensa vital, conviviente<br \/>\nconflictivamente hermano,<br \/>\ntiernamente compa\u00f1ero.<\/p>\n<h4><strong>2. Pedro-profeta<\/strong><\/h4>\n<p>Para Casald\u00e1liga, a poesia e a profecia andam de m\u00e3os dadas:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cPara mim, todo poeta \u00e9 um profeta (&#8230;). Veja que todo poeta escuta seu povo e o traduz em um grito, um clamor. Que todo poeta d\u00e1 a seu povo, no momento hist\u00f3rico se for um poeta mais \u00e9pico, ou a cada membro de seu povo no momento sentimental se for um poeta mais l\u00edrico, aquela palavra, aquela pista, aquele clima que os faz vibrar, que os faz viver.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>(T. Cabestrero, Di\u00e1logos\u2026, 175-176).<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, ouvir e, em segundo lugar, verbalizar, emprestar palavras principalmente para os sem-voz. Poesia que brota da hist\u00f3ria concreta, de p\u00e9s enlameados e de um cora\u00e7\u00e3o comovido. A palavra comprometida nasce de seus l\u00e1bios:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cPor causa de minha voca\u00e7\u00e3o pessoal e ideologia leg\u00edtima, <strong>n\u00e3o acredito na poesia neutra<\/strong>. A pessoa \u00e9 movida pela raiva diante da injusti\u00e7a, da mis\u00e9ria e da arrog\u00e2ncia. Comovemo-nos com compaix\u00e3o diante dos pobres, diante do sofrimento humano.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>(T. Cabestrero, El sue\u00f1o&#8230;, 133-134).<\/p>\n<p>\u00c9 esta santa raiva que leva um homem &#8220;no bom sentido da palavra, bom&#8221; (A. Machado), a lan\u00e7ar maldi\u00e7\u00f5es como flechas disparadas contra as injusti\u00e7as da hist\u00f3ria, reminiscente dos famosos &#8220;infort\u00fanios&#8221; &#8211; &#8220;ai de voc\u00eas&#8230;&#8221; &#8211; do outro profeta, o profeta de Nazar\u00e9 (cf. Mt 23,13 ss.):<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong>TIERRA NUESTRA, LIBERTAD<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: center;\">(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a1Malditas sean<br \/>\nlas cercas vuestras,<br \/>\nlas que os cercan<br \/>\npor dentro,<br \/>\ngordos,<br \/>\nsolos,<br \/>\ncomo cerdos cebados;<br \/>\ncerrando<br \/>\ncon su alambre y sus t\u00edtulos,<br \/>\nfuera de vuestro amor<br \/>\na los hermanos!<br \/>\n(\u00a1Fuera de sus derechos,<br \/>\nsus hijos<br \/>\ny sus llantos<br \/>\ny sus muertos,<br \/>\nsus brazos y su arroz!)<br \/>\n\u00a1Cerr\u00e1ndoos<br \/>\nfuera de los hermanos<br \/>\ny de Dios!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a1Malditas sean<br \/>\ntodas las cercas!<br \/>\n\u00a1Malditas todas las<br \/>\npropiedades privadas<br \/>\nque nos privan<br \/>\nde vivir y de amar!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(&#8230;)<\/p>\n<p>Mas toda essa den\u00fancia, que em mais de uma ocasi\u00e3o desmascarou o pecado e o mal no mundo (e na igreja), \u00e9 sustentada e iluminada por um horizonte firme de esperan\u00e7a:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA morte continua sendo para mim a coisa mais s\u00e9ria da vida. Isso &#8220;me faz P\u00e1scoa&#8221;. \u00c0s vezes eu quase desesperei e perguntei a Deus por que tantas mortes est\u00fapidas, aparentemente sem sentido, mortes por fome, por causa da dist\u00e2ncia, por n\u00e3o ter um m\u00ednimo de infra-estrutura, de cuidados m\u00e9dicos, etc., por tanta injusti\u00e7a, &#8220;mortes morridas&#8221;, como dizem aqui, mortes que enlouqueceram. Por outro lado, \u00e9 claro, a morte \u00e9 &#8220;a P\u00e1scoa do Senhor&#8221;. Eu tenho f\u00e9, tenho esperan\u00e7a&#8230; aqui minha esperan\u00e7a afiou, afiou como uma l\u00e2mina enquanto eu cortei a carne da morte atual. Eu s\u00f3 posso esperar. N\u00e3o h\u00e1 outra possibilidade.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>(T. Cabestrero, Di\u00e1logos\u2026, 100)<\/p>\n<p>Gostaria de iluminar esta caracter\u00edstica de um profeta esperan\u00e7oso com um dos muitos sonetos que ele escreveu sobre o assunto:<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong>ENTONCES LO VEREMOS COMO ES<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: center;\">Porque lo espero a El, y porque espero<br \/>\nque, al encontrarlo, todos nos veamos<br \/>\nrestablecidos por el sol primero<br \/>\ny el coraz\u00f3n seguro de que amamos;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">porque no acepto esa mirada fr\u00eda<br \/>\ny creo en el rescoldo que ella esconde;<br \/>\nporque tu soledad tambi\u00e9n es m\u00eda;<br \/>\ny todo yo soy una herida, donde<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">alguna sangre mana; y donde espera<br \/>\nun muerto, yo reclamo primavera,<br \/>\nmuerto con \u00e9l ya antes de mi muerte;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">porque aprend\u00ed a esperar a contramano<br \/>\nde tanta decepci\u00f3n: te juro, hermano,<br \/>\nque espero tanto verLo como verte.<\/p>\n<p>E deixe-me sublinhar apenas tr\u00eas caracter\u00edsticas: <strong>o c\u00e9u, a felicidade \u00faltima, o destino \u00faltimo do homem, n\u00e3o ser\u00e1 apenas ver e abra\u00e7ar Deus, mas tamb\u00e9m todos aqueles que nos precederam<\/strong> (de uma forma particular, as v\u00edtimas de v\u00e1rias injusti\u00e7as): \u201cEspero tanto v\u00ea-Lo quanto v\u00ea-los\u201d.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, este compromisso com o abra\u00e7o ressuscitado \u00e9 validado na capacidade anterior de morrer com aqueles que morreram antes de seu tempo:<\/p>\n<p>\u201cdonde espera<br \/>\nun muerto, yo reclamo primavera,<br \/>\nmuerto con \u00e9l ya antes de mi muerte\u201d,<\/p>\n<p>E, finalmente, o convite que o poeta nos faz para \u201cesperar na contram\u00e3o \/ de tanta decep\u00e7\u00e3o\u201d, que nos convida a pensar agora, cada um de n\u00f3s, quais foram e s\u00e3o as decep\u00e7\u00f5es -pessoais e institucionais- com as quais e apesar das quais continuamos a acreditar, esperar e amar.\u2026<\/p>\n<h4><strong>3. Pedro-Pastor<\/strong><\/h4>\n<p>E a \u00faltima perspectiva que quero compartilhar neste r\u00e1pido esbo\u00e7o de um retrato \u00e9 a de Pedro-pastor, lembrando que ele s\u00f3 aceitou ser consagrado bispo quando se sentiu \u201cfraternalmente pressionado\u201d e convencido por seu pr\u00f3prio povo a aderir a esse minist\u00e9rio de servi\u00e7o. Nascido poeta, ele foi \u201cfeito\u201d bispo, como ele comenta com ironia sutil:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cPara informa\u00e7\u00e3o dos amigos e sem qualquer discuss\u00e3o poss\u00edvel, \u00e9 bom registrar a opini\u00e3o de ningu\u00e9m menos que o Papa Jo\u00e3o Paulo II, que tamb\u00e9m \u00e9 poeta: &#8220;\u00c9 mais f\u00e1cil fazer um bom poeta do que fazer um bom bispo&#8221;. E ele o disse de mim quando, em sua primeira viagem ao Brasil, eu lhe dediquei aquele poema &#8220;Jo\u00e3o Paulo, Pedro s\u00f3&#8221;. J\u00e1 se sabe que o poeta nasce, mas, at\u00e9 o momento, os bispos se fazem.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>(T. Cabestrero, El sue\u00f1o\u2026, 132)<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio, o simbolismo marcou todo o programa de seu minist\u00e9rio pastoral: ele nunca usou um bast\u00e3o &#8220;tradicional&#8221;, anel ou mitra, mas um remo, um anel de palmeira (tucum) e um chap\u00e9u de palha. Todos esses elementos se referem \u00e0quela terra ind\u00edgena oprimida e incomodam, pois, ainda hoje, s\u00e3o tantos sinais mantidos e que t\u00eam muito a ver com o Imp\u00e9rio Romano de outrora e pouco a ver com uma igreja samaritana. As palavras que ele escreveu no cart\u00e3o de convite para comemorar sua consagra\u00e7\u00e3o episcopal s\u00e3o comoventes &#8211; e, imagino, desafiadoras para mais de um bispo (23-10-1971):<\/p>\n<blockquote><p>\u201cTua mitra ser\u00e1 um chap\u00e9u de palha sertanejo; o sol e o luar; a chuva e o sereno; o olhar dos pobres com quem caminhas e o olhar gloriosos de Cristo, o Senhor. Teu b\u00e1culo ser\u00e1 a verdade do Evangelho e a confian\u00e7a do teu povo em ti. Teu anel ser\u00e1 a fidelidade \u00e0 Nova Alian\u00e7a do Deus Libertador e ao povo desta terra. N\u00e3o ter\u00e1s outro escudo sen\u00e3o a for\u00e7a da Esperan\u00e7a e a Liberdade dos filhos de Deus, nem usar\u00e1s outra luva que o servi\u00e7o do Amor\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ele nunca aceitou ser chamado por aqueles t\u00edtulos que abundam e s\u00e3o t\u00e3o populares em certos setores eclesi\u00e1sticos, mas t\u00eam t\u00e3o pouco a ver com o Evangelho: monsenhor, excel\u00eancia, ilustre, santidade, emin\u00eancia, etc&#8230; Ele pediu para ser chamado &#8220;Pedro&#8221; ou &#8220;Pedrinho&#8221;. O fato \u00e9 que <strong>ele nunca deixou de sonhar com outra igreja<\/strong> que &#8211; al\u00e9m de ser uma, santa, cat\u00f3lica e apost\u00f3lica &#8211; tenha a nudez como sua caracter\u00edstica definidora:<\/p>\n<p>Yo, pecador y obispo, me confieso<br \/>\nde so\u00f1ar con la Iglesia<br \/>\nvestida solamente de Evangelio y sandalias.<\/p>\n<p>Este verso me lembra uma imagem do ano passado, em uma das celebra\u00e7\u00f5es f\u00fanebres, onde Pedro descansava com os p\u00e9s descal\u00e7os, apenas cobertos com o livro da Palavra. Um s\u00edmbolo de sua procura pelo Reino na igreja. Uma igreja despojada de superficialidades, de ritos insignificantes e palavras vazias, a fim de concentrar-se no essencial da pobreza:<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong>POBREZA EVANG\u00c9LICA<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: center;\">No tener nada.<br \/>\nNo llevar nada.<br \/>\nNo poder nada.<br \/>\nNo pedir nada.<br \/>\nY, de pasada,<br \/>\nno matar nada;<br \/>\nno callar nada.<br \/>\nSolamente el Evangelio,<br \/>\ncomo una faca afilada.<br \/>\nY el llanto y la risa en la mirada.<br \/>\nY la mano extendida y apretada.<br \/>\nY la vida, a caballo, dada. Y<br \/>\neste sol y estos r\u00edos<br \/>\ny esta tierra comprada,<br \/>\npor testigos de la Revoluci\u00f3n ya estallada.<br \/>\n\u00a1Y mais nada!<\/p>\n<p><strong>\u201cSonhar com uma igreja diferente tamb\u00e9m implica apressar a utopia, incentivando e implementando reformas concretas<\/strong>\u201d. Em um relat\u00f3rio de 1986 &#8211; 30 anos antes de o Papa Francisco fazer dele um item priorit\u00e1rio na agenda eclesial -, listando algumas das sombras da Igreja, Pedro denunciou: <strong>&#8220;A lentid\u00e3o pseudo-eterna de nossas reformas em c\u00farias e c\u00f3digos. Especialista na eternidade, a Igreja frequentemente deixa o Tempo passar&#8230;\u201d.<\/strong>\u00a0(P. Casald\u00e1liga, Al acecho del Reino, Madrid, Nueva Utop\u00eda 1989, 179).<\/p>\n<p>E, eu acrescentaria, deixar o tempo passar n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o cronol\u00f3gica, mas uma quest\u00e3o kairol\u00f3gica: &#8220;O mal n\u00e3o ser\u00e1 \/ perder o trem da Hist\u00f3ria, \/ mas perder o Deus vivo \/ que viaja naquele trem&#8221;. E sem certas reformas que n\u00e3o s\u00e3o apenas urgentes, mas imposs\u00edveis de adiar mais, ser\u00e1 a igreja que ver\u00e1 este trem passar.<\/p>\n<p>Pedro do Araguaia, porque primeiro ele fez com seu exemplo em S\u00e3o F\u00e9lix, depois teve a coragem de questionar Pedro de Roma, naquele poema duro dedicado a Jo\u00e3o Paulo II:<\/p>\n<p>\u201cDeja la curia, Pedro,<br \/>\ndesmantela el sinedrio y la muralla,<br \/>\nordena que se cambien todas las filacterias impecables<br \/>\npor palabras de vida, temblorosas\u201d.<\/p>\n<p>Pedro lutou por uma igreja pobre, dos pobres e para os pobres&#8230; para que n\u00e3o houvesse mais pobres! Porque ele estava convencido de que o que Deus quer \u00e9 a igualdade de todos os seus filhos para que eles possam viver em verdadeira e livre fraternidade, como escreveu em um poema ir\u00f4nico intitulado &#8220;Igualdade&#8221;:<\/p>\n<p>\u201cSi Cristo es<br \/>\nla riqueza<br \/>\nde los pobres,<br \/>\n\u00bfpor qu\u00e9 no es<br \/>\nla pobreza<br \/>\nde los ricos,<br \/>\npara ser<br \/>\nla igualdad<br \/>\nde todos?\u201d<\/p>\n<p>E uma observa\u00e7\u00e3o final para sublinhar a harmonia com a t\u00e3o falada &#8220;igreja em sa\u00edda&#8221;. No poema j\u00e1 citado, dedicado a um predecessor (&#8220;Deixe a c\u00faria, Pedro&#8221;), ele o exorta -e, nele, a todos os crentes- a se deslocarem em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s periferias, onde o Povo (sobre)vive, abandonado. Eu cito apenas alguns versos:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Vamos al Huerto de las bananeras,<br \/>\nrevestidos de noche, a todo riesgo,<br \/>\nque all\u00ed el Maestro suda la sangre de los Pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">La t\u00fanica incons\u00fatil es esta humilde carne destrozada,<br \/>\nel llanto de los ni\u00f1os sin respuesta,<br \/>\nla memoria bordada de los muertos an\u00f3nimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Legi\u00f3n de mercenarios acosan la frontera de la aurora naciente<br \/>\ny el C\u00e9sar los bendice desde su prepotencia.<br \/>\nEn la pulcra jofaina Pilatos se abluciona, legalista y cobarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">El Pueblo es s\u00f3lo un \u00abresto\u00bb,<br \/>\nun resto de Esperanza.<br \/>\nNo Lo dejemos s\u00f3lo entre guardias y pr\u00edncipes.<br \/>\nEs hora de sudar con Su agon\u00eda,<br \/>\nes hora de beber el c\u00e1liz de los Pobres<br \/>\ny erguir la Cruz, desnuda de certezas,<br \/>\ny quebrantar la losa\u2014ley y sello\u2014 del sepulcro romano,<br \/>\ny amanecer<br \/>\nde Pascua.<\/p>\n<p>Para concluir este r\u00e1pido e incompleto esbo\u00e7o de sua cativante figura, gostaria de lembrar um pequeno poema que, talvez, possa resumir seu triplo minist\u00e9rio como poeta, profeta e pastor ou, melhor ainda, qual era toda sua voca\u00e7\u00e3o: buscar o verdadeiro e sempre inating\u00edvel Rosto de Deus para modelar e mudar sua pr\u00f3pria vida e, ent\u00e3o, oferec\u00ea-la como uma &#8220;condi\u00e7\u00e3o de possibilidade&#8221; para humanizar um pouco mais a Igreja e o Mundo, desde sua proposta program\u00e1tica de \u201cHumanizar a humanidade praticando a proximidade\u201d:<\/p>\n<p>Para cambiar de vida<br \/>\nhay que cambiar de Dios.<\/p>\n<p>Hay que cambiar de Dios<br \/>\npara cambiar la Iglesia.<\/p>\n<p>Para cambiar el Mundo<br \/>\nhay que cambiar de Dios<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Autor:<\/strong> Michael Moore.<br \/>\n<strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Raul Vico, Funda\u00e7\u00e3o Pedro Casald\u00e1liga.<\/p>\n<span class=\"et_bloom_bottom_trigger\"><\/span>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhe\u00e7a a poesia de Pedro Casald\u00e1liga: \u201cN\u00e3o s\u00e3o apenas poemas est\u00e9ticos, mas m\u00edsticos, como os de Jo\u00e3o da Cruz, que nos abrem para o Mist\u00e9rio final. 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