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Canção da “foz” e do faz

Canção da “foz” e do faz

Canção da “foz” e do faz

(Escrita originalmente em espanhol, te oferecemos uma tradução)

Com um calo por anel,
monsenhor cortava arroz.
Monsenhor “martelo
e foice”?

Me chamarão subversivo.
E lhes direi: eu o sou.
Por meu Povo em luta, vivo.
Com meu Povo em marcha, vou.

Tenho fé de guerrilheiro
e amor de revolução.
E entre Evangelho e canção
sofro e digo o que quero.
Se escandalizo, primeiro
queimei o próprio coração
ao fogo desta Paixão,
cruz de Seu mesmo Madeiro.

Incito à subversão
contra o Poder e o Dinheiro.
Quero subverter a Lei
que perverte ao Povo em grei
e ao Governo em carniceiro.
(Meu Pastor se faz Cordeiro.
Servidor se fez meu Rei.)

Creio na Internacional
das frontes alevantadas,
da voz de igual a igual
e das mãos enlaçadas…
E chamo a Ordem de mal,
e ao Progresso de mentira.
Tenho menos paz que ira.
Tenho mais amor que paz.

… Creio na foice e no feixe
destas espigas caídas:
uma Morte e tantas vidas!
Creio nesta foice que avança
– sob este sol sem disfarce
e na comum Esperança –
tão encurvada e tenaz!

Antologia Retirante – poemas
Dom Pedro Casaldáliga
Editora Civilização Brasileira – edição 1978

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Alvorada: escapando da repressão no Araguaia

Alvorada: escapando da repressão no Araguaia

Alvorada: escapando da repressão no Araguaia

Texto elaborado a partir do trabalho de Marluce Scaloppe, da UFMT: Jornal Alvorada: registro e história das lutas do povo do Araguaia em tempos de ditadura.

Quando o jornal Alvorada foi lançado, em 1970, os veículos de comunicação no Brasil viviam sob forte censura imposta pelas autoridades militares.

A censura imposta à imprensa recaiu também sobre a Igreja. Sobre duas formas a Igreja progressista foi atingida: censura sobre a ação e pronunciamentos de bispos e religiosos e a censura nos veículos de comunicação das Dioceses espalhadas por todo o país.

Os setores progressistas da Igreja Católica, articulados com movimentos populares e de esquerda, declararam resistência aos governos militares, assumindo um importante papel político no Brasil.

É nesse contexto que, a recém criada Prelazia de São Félix do Araguaia, cria o primeiro meio de comunicação escrita da Amazônia, o jornal Alvorada. Hoje, 49 anos depois e con frequência bimensal, se imprimem e distribuem 2.000 exemplares.

O jornal é estimulado em um momento em que lideranças episcopais, estimuladas pelo CELAM, em Medellín, passaram a adotar práticas “libertadoras”. Dessa forma, o surgimento de rádios comunitárias, de revistas, circulares, etc se espalha pelas diversas dioceses e prelazias do País.

Quando foi lançado, o jornal Alvorada atuou como é o principal veículo de comunicação de uma área de aproximadamente 150 mil Km² no noroeste de Mato Grosso.

No “vale dos esquecidos”, como é chamada a região pelos próprios moradores, não havia telefone, televisão, rádio ou correio. Não havia nem mesmo energia elétrica.

ALVORADA na terra e na vida da gente.
Sol quente e chuva brava sobre o Araguaia.
O Araguaia traz tudo em seu banzeiro,
basta saber olhar.

O verão seco de perseguição
machucou, doeu e ensinou.
Mas quem tem coragem e Esperança está de pé.
ALVORADA vem dizer que a vida continua,
ALVORADA é um momento de palestra para nós,
que fazemos parte do Povo de Deus,
que se arranhou neste serão, entre o Araguaia e o Xingu.

Jornal Alvorada, edição de janeiro de 1974 

Até o final dos anos 1970, poucas pessoas estavam envolvidas no processo de produção do jornal, como redação das notícias e impressão. Na linha de frente sempre, a presença do bispo Dom Pedro Casaldáliga, irmã Irene, padre Falieiro (quem fazia as ilustrações do jornal) e um grupo de jovens agentes de pastoral, entre eles, Pontim e Moura.

Alvorada pra nós, pra muitas pessoas em São Felix é como se fosse a Bíblia, entendeu? A gente só tem certeza… Se sair uma notícia aqui no Mato Gosso […] na Globo […] a gente presta atenção, mas a gente só vai ter certeza mesmo, a gente só vai confiar quando sair no Alvorada. Então eu considero assim, pra mim e pra muitos, a gente lê o Alvorada como se fosse a Bíblia, entendeu? Assim, é uma coisa sagrada pra nós principalmente.

Lindaura Paiva

O Alvorada traz uma linguagem simples e se vale muito de fotos e ilustrações, principalmente do pintor Cerezo Barredo.

Todas as atividades da Prelazia têm, no Alvorada, um espaço importante para informação, divulgação e formação permanente, como a página de formação bíblica e saúde e educação, dois históricos problemas sociais da região. [Gonzaga, Agnaldo Divino]

Em uma região, ainda marcada pelas carências sociais e pelas distâncias que dificultam a comunicação, o Alvorada faz-se significativo. É também distribuído em várias regiões do Brasil e em outros países. [Gonzaga, Agnaldo Divino]

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As obras de Casaldáliga na internet

As obras de Casaldáliga na internet

As obras de Casaldáliga na internet

Com mais de 50 trabalhos publicados e centenas de entrevistas concedidas, Pedro Casaldáliga é também comunicação .

Ele sempre expressou seu primeiro desejo de se dedicar ao jornalismo e, de fato, foi diretor de duas revistas em sua juventude, uma em Sabadell e outra em Madri, durante sua formação.

Pere Casaldàliga também é poeta . Ele escreveu mais de 200 poemas que constituem uma das formas mais profundas de conhecer o autor, suas convicções, suas crenças e sua visão do mundo.

Como acessar sua biblioteca

Por ocasião do seu 90º aniversário, José María Vigil e José María Concepción, amigos de Bispe Pere, lançaram um novo portal on-line com todos seus poemas e escritos, disponíveis para download gratuito.

São livros, artigos, poemas e outros escritos e intervenções de Casaldáliga, que foram subidos e estão sendo atualizados para este portal, para que a sua obra permaneça disponível para qualquer pessoa interessada no trabalho deste bispo claretiano.

Acessar é muito fácil .

Todo o conteúdo está armazenado na plataforma Academia.edu e o Bispo Casaldáliga tem seu próprio site.

Você pode ler os títulos, baixá-los, comentá-los on-line com outras pessoas, tornar-se um seguidor do portal e receber notificações, etc.

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A velhice é a melhor idade?

A velhice é a melhor idade?

A velhice é a melhor idade?

Os idosos/idosas, os velhos/velhas, é que podemos responder por experiência própria.

Nós conhecemos as nossas limitações, nós sentimos os nossos achaques. A vista e o ouvido diminuem, as forças enfraquecem, o humor facilmente azeda um pouco, a vida fica como cansada. É cuidado e mais cuidado, remédio e mais remédio. Carro velho que tem que encostar de vez em quando e procurar de vez em quando a oficina.

Isso, do lado mais ou menos escuro da velhice. Tem também, tem sim, seu lado bom:  Os fogos deslumbrantes da juventude, sem o brilho irritante da idade forte.

A velhice é uma longa lição aprendida, com muitos dias de aula viva e personalizada. Essas muitas folhas de calendário, que foram caindo ao longo dos anos, juntaram-se no livro pessoal da própria vida. A minha velhice é a minha vida acumulada.

E tempo propício para meditar, para acolher a palavra de Deus, para refazer a algumas linhas tortas que a gente foi traçando vida afora.

A velhice é uma espécie de Sacramento de penitência e de conversão, de agradecimento e de esperança. Deus fica mais perto.

As vaidades e as mentiras foram-se, tocadas pelo vento do espírito, despidas à luz da experiência escarmentada.

Para quem é velho, a velhice é a melhor idade. Para cada pessoa a melhor idade é aquela que tem. Hoje será a juventude, amanhã será a idade adulta, depois de amanhã será a velhice, a doce, a sofrida, a esperançada velhice!

Agora, falando para quem ainda não é velho ou velha (e que Deus lhes conceda uma velhice feliz!), valem alguns conselhos. Permitem?

– Valorizar as pessoas idosas como pessoas com história própria, com experiência vivida, com direitos inalienáveis. O velho não é um fardo encostado; uma velha não é um resto de vida.

– As pessoas idosas querem compreensão, atenção, carinho, não querem só compaixão.

– Devem ser visitadas, devem ser informadas do que acontece ao seu redor e no mundo. Estão vivas!

– Devem ser provocadas para o diálogo e chamadas a participar.

– Mas tem que ser respeitadas no seu silêncio e no seu ritmo. Barulho e pressas não condizem com velhice.

– Deve-se favorecer a sua vida de oração, a participação na comunidade eclesial, o amadurecimento na fé.

– A velhice gosta e precisa de flores e música, de bom humor e de esperança. Fora toda a tristeza, que até a morte é Páscoa!

O cajado na mão, a mão no ombro, o neto no colo, o tempo passando, as folhas caindo, a vida amadurecendo. Deus se aproximando. Para nós, os velhos e velhas (até Deus é “o velho de dias” segundo a Bíblia), a velhice é a melhor idade porque é a nossa, o hoje de Deus no nosso hoje maduro.

Pedro Casaldáliga

Publicado no Jornal Alvorada, em março-abril de 2003

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É desse que se concretizam as causas de Casaldáliga no Araguaia

É desse que se concretizam as causas de Casaldáliga no Araguaia

É desse que se concretizam as causas de Casaldáliga no Araguaia

Pedro Casaldáliga é uma figura global. Reconhecido no mundo todo pelo seu compromisso, sua coerência e sua luta em favor dos camponeses sem terra, dos povos indígenas e dos que mais sofrem. Mas, como é o seu trabalho concreto, dia a dia, na região onde vive há mais de 50 anos?

29 de fevereiro de 2020 (atualitzado)

As causas de Casaldáliga

EIXO DE TRABALHO 1

Camponeses/as

A região do Araguaia é do mesmo tamanho de países como Portugal ou Guatemala. Com a maioria das estradas não pavimentadas, para atravessá-la precisamos de mais de 10 horas de ônibus entre lama ou poeira, dependendo se é estação da seca ou da chuva.

O Araguaia é uma terra marcada por uma história de grandes latifundiários que, ainda hoje, mantém impérios agroindustriais dedicados à produção de soja ou à criação de gado para a carne.

São hectares e hectares de plantações, cujos produtos são enviados para a Europa, junto com milhares de cabeças de gado cuja carne é enviada principalmente para a China.

Nos primeiros anos da chegada de Casaldáliga ao Araguaia, em 1968, o principal problema era o acesso à terra: os pequenos agricultores não tinham onde plantar. Assim, o surgimento das primeiras cidades baseou-se no confronto aberto e sangrento entre proprietários de terras e camponeses.

Os povos indígenas foram simplesmente expulsos de suas terras ou dizimados de seus modos de vida até desaparecerem do lugar. A “lei do 38” era a única Lei e tomar partido como Casaldáliga e sua equipe fizeram, foi um ato onde se arriscava a vida. Muitos foram torturados e mortos.

Hoje violência no campo continua a ser uma realidade palpável nesta região da Amazônia e, infelizmente, estamos vivenciando casos de agressões, expulsões e ameaças. Talvez os confrontos não sejam tão habituais ou violentos como nos anos 70 e 80, mas ainda morar no Araguaia e defender os sem-terra ou os indígenas, é correr risco.

Além disso, apesar de algumas terras terem sido conquistadas nos anos 70 e 80, em grande parte graças à força de Casaldáliga, ainda estamos longe de poder afirmar que o campo brasileiro é um bom lugar para viver. A grande propriedade continua a ser predominante e o pequeno agricultor, esquecido.

Desde a década de 2000, a principal dedicação da equipe de Casaldáliga é, portanto, trabalhar ao lado dos camponeses que têm a posse de um pequeno lote de terra, para que possam alimentar a sua família.

Construíndo Hortas e Pomares com as Famílias

A alimentação familiar é a nossa prioridade.

No Araguaia, ainda temos sérios problemas de desnutrição, especialmente crianças. Por isso, tentamos ajudar as famílias a terem a sua própria produção de alimentos: arroz, mandioca, milho, abóbora, etc., pois são produtos que podem ser cultivados no Araguaia e que formam a base da alimentação regional.

Para isso, estamos dedicados a fornecer mangueiras, bombas, arame, etc., para que mais ou menos 50 famílias por ano possam fazer suas pequenas hortas e alimentar melhor as suas famílias.

Também, ao longo de todo o ano, nossos agrônomos visitam as plantações e acompanham as dificuldades e o processo para garantir que está indo bem.

Indústria de Suco de Fruta

Além de legumes e alguns vegetais, também precisamos de frutas. Portanto, trabalhamos com as famílias de agricultores para plantar árvores frutíferas em suas terras. Para isso, fornecemos materiais de irrigação, construímos poços para a água, transportamos sementes e mudas, etc.

O excedente das frutas as famílias vendem para a mini-indústria que temos em São Félix do Araguaia, onde produzimos suco que depois vendemos na região.

É um processo longo, porque as árvores precisam de tempo para dar frutos; além disso, estamos sempre sujeitos aos riscos de uma agricultura desenvolvida em terras que foram destruídas ambientalmente (com nutrientes escassos, erosão, etc); e enfrentamos a enorme dificuldade de não ter água o ano todo.

Mas, apesar disso, todos os anos, conseguimos comprar 50.000 quilos de frutas tropicais que transformamos em suco natural!

EIXO DE TRABALHO 2

Povos Indígenas

No Brasil, existem mais de 250 povos indígenas, que falam 150 línguas diferentes. Quase 1 milhão de pessoas pertencentes a algumas das populações ancestrais que habitaram o Brasil antes da ocupação européia.

No Araguaia, convivem os povos Tapirapé (Apyãwa), Karajá (Iny) e Xavante (A’uwe). Desde que a região começou a ser ocupada pelos “brancos”, a história dos povos indígenas é marcada pela violência, a perda de suas terras e o roubo de seus recursos naturais.

Em um momento histórico em que o pensamento único se espalha e em que parece que existe apenas um modo aceitável de sentir, falar e viver, alguns povos indígenas se encontram no desafio de re-construir sua identidade e de se re-colocar no contexto global em que vivemos.

Em 2012, o Povo Xavante, a 120 km da casa de Pedro, em São Félix do Araguaia, recuperou seu território ancestral: a Terra Indígena Marãiwatsédé. No entanto, depois de mais de 50 anos ocupados por brancos, a área não tem mais de 15% de sua vegetação original e sofre com a falta de água, solos sem nutrientes, etc.

Nesta situação, nossa vida diária é baseada em apoiar o plantio de alimentos para as mais de 800 pessoas que vivem em Marãiwatsédé ; ajudar na construção de poços e rodas para que eles tenham água; e, em geral, apoiamos as atividades de recuperação cultural que uma organização especializada em causa indígena realiza na área, a Operação Amazônia Nativa.

Para chegar à terra Marãiwatsédé leva 4 horas de carro, e as condições de vida lá são muito difíceis. Além disso, é necessário que as pessoas que estão na aldeia conheçam a cosmovisão Xavante refletida através de seus costumes, crenças e valores, bem como suas formas de participação e organização, etc.

EIXO DE TRABALHO 3

Com as famílias que vivem na pobreza

Em São Félix do Araguaia, 30% da população vive com menos de 1 euro por dia. A maioria das pessoas não tem emprego registrado e o acesso ao hospital especializado mais próximo fica a mais de 24 horas de ônibus.

Melhorar a Saúde

Um dos primeiros direitos universais é a saúde. No Araguaia, no entanto, esse direito não está garantido. E está longe disso.

Por outro lado, nós acreditamos na eficácia de plantas medicinais, das ervas, dos cipós, das folhas e das frutas, cujos benefícios são conhecidos em toda a comunidade e são transferidos de mães para filhos, de geração em geração, sem direito de propriedade, patentes, indústria…

Recuperar e valorizar o conhecimento tradicional, que forma a herança da Humanidade, faz parte de nossas convicções.

Portanto, nos dedicamos a ensinar a fabricação de remédios naturais caseiros, a partir do conhecimento local, e fazemos produtos como xarope para tosse, sabonetes para piolhos, balinhas expectorantes, etc.

A maioria das famílias que atendemos não tem a menor condição de tratar seus filhos em clínicas particulares e a saúde pública é muito pobre, por isso tentamos evitar o máximo possível a complicação de doenças que eles os forçariam a enfrentar 24 horas de ônibus e acabariam com as já escassas economias familiares.

Apoiamos o Trabalho Autônomo

A falta de emprego e renda para a família condena muitos à extrema pobreza. Uma realidade que afeta especialmente às mulheres, que veem como o seu papel social e familiar é submetido por uma cultura machista, que as aprisiona em seu trabalho.

Pensando nisso, já no ano 2000, começamos um projeto de microcrédito solidário para que as pessoas em situação de pobreza pudessem iniciar pequenos negócios e ganhar a vida com eles.

Atendemos principalmente mulheres e oferecemos um empréstimo de 500 a 1.200 reais, para que possam começar uma pequena padaria, uma oficina de costura, uma venda de doces, uma criação de galinhas, um pequeno pomar, etc.

Não pedimos garantias materiais: só que elas se juntem com outras 2 ou 3 pessoas e se comprometam a devolver o empréstimo.

Todos os anos, formalizamos mais de 300 créditos, já que muitas mulheres renovam e estendem seus empréstimos para continuar crescendo e melhorando a vida de suas famílias.

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No dia de sua ordenação como bispo, Pedro Casaldáliga publicou um amplo documento que destacava a situação de escravidão em que viviam a maioria dos camponeses da Amazônia. O documento também questionou a Igreja e logo despertou a perseguição contra ele e sua equipe.

31 de outubro de 2019

A vida de Pedro Casaldáliga

No dia de sua consagração como bispo, em 1971, Pedro Casaldáliga publicou a primeira denúncia global da situação na Amazônia.

A carta pastoral “Uma Igreja na Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social” é um documento histórico que marca um tempo único na defesa dos povos indígenas, do meio ambiente, da situação das mulheres e da luta pela terra. Contra a pobreza e a marginalização desta região.

Era a primeira vez que um Bispo se posicionava tão abertamente sobre a situação da Amazônia.

Como Berta Campurbí disse em seu artigo Pedro Casaldáliga, 90 anos: um dia na casa do bispo dos pobres, publicado no El Periódico da Catalunha:

Naqueles anos, as terras de Mato Grosso eram dominadas pela sobreposição de títulos de propriedade, herdados principalmente da Lei de Terras de 1850, que distribuía ilegalmente territórios ancestrais indígenas, criando imensas propriedades agrícolas de até 7.000 quilômetros quadrados. Eram terras de pistoleiros, de abandono legal e institucional.

Lá, a violência era o método com o qual os conflitos eram resolvidos. Casaldáliga enterrou muitos camponeses, sem terra e indígenas naqueles tempos.

Berta Camprubí

El Periódico de Catalunya

O conteúdo do documento

Ao longo de 30 páginas da Carta Pastoral, o Bispo Pedro analisa com rigor a situação de escravidão e violência em que viviam os povos e comunidades da Amazônia, denunciando os problemas ambientais que, à época, começavam a ser percebidos e, naturalmente, o genocídio dos povos indígenas que os grandes proprietários de terra estavam realizando com a aprovação do governo militar brasileiro.

No documento se relatam detalhes dos casos de exploração mais gritantes da época, explicitando os nomes dos responsáveis -alguns grandes fazendeiros, e relatando a situação dos posseiros, dos índios e dos peões. 

Os primeiros desbravadores da região são os hoje chamados posseiros. Localizados aqui há 5, 10, 15, 20 e alguns até 40 anos. Cultivando o solo pelos métodos mais primitivos, plantando arroz, milho, mandioca. Lavoura de pura subsistência. Criando gado. Sem a menor assistência sanitária e higiênica, sem nenhum amparo legal, sem meios técnicos à disposição. Aglomerados em pequenos vilarejos, chamados Patrimônios (que foram vendidos pelo Estado como terras virgens – Santa Terezinha, Porto Alegre/Cedrolândia, Pontinópolis) ou dispersos pelo sertão afora a uma distância de 12 a 20 Km uns dos outros.
Pedro Casaldáliga, 1971

Como ele diria em sua carta, citando o professor Hélio de Souza Reis: “Indiferente a tudo, [os camponeses] tentam ganhar pão todos os dias, porque só há dois direitos para eles: o de nascer e o de morrer”.

Quando ainda quase ninguém falava na causa indígena; quando a preocupação com o Meio Ambiente não estava na mesa de qualquer discussão; e quando a extrema pobreza dos trabalhadores rurais, muitas vezes escravizados, era um assunto longe de qualquer foco da mídia ou da Igreja, a Carta Pastoral de 1971 torna-se um documento que indigna as vergonhas do Brasil e que, pela primeira vez, internacionaliza a crueldade da situação econômica, social e ambiental da Amazônia.

Como foi o impacto

O documento teve que ser impresso de forma clandestina, fora da região do Araguaia, pela fiel colaboradora de Casaldáliga, a Irmã Irene Franceschini. Com essas palavras explicava na Crónica desde São Félix, em 2008, a Maritxu Ayuso:

A mulher que, em plena ditadura, carregou uma caixa embrulhada num cachecol, a primeira carta pastoral de Pedro Casaldáliga em um avião militar! Quando perguntaram o que ela estava levando, respondeu “medicamentos, algumas roupas, coisas sem importância … se você quiser abrir …” !!!!

Martixu Ayuso

Associació Araguaia amb el Bisbe Casaldàliga

A carta do Bispo Pedro ecoou na maioria dos jornais e publicações do Brasil e desencadeou uma revolução no meio da repressão militar.

Nessa mesma época os interesses econômicos associados ao regime estavam se distribuíndo o Centro Oeste do País à custa dos povos indígenas e do Meio Ambiente e um bispo como Casaldáliga incomodava.

Depois de vários meses de boatos e calúnias, de ameaças de prisão, de morte, de “descida” da polícia federal e do exército, com prognósticos sucessivamente datados depois de várias tentativas de convencer-nos ou de intimidar-nos por meio de várias tentativas de convencer-nos ou de intimidar-nos por meio de mensageiros pessoais, naprimeira semana do mês de setembro último, o Sr. Ariosto da Riva – pai e mentor de latifundiários – acompanhado de um sacerdote religioso, se apresentou ao Senhor Núncio, no Rio, para tentar impedir a minha sagração…
Pedro Casaldáliga, 1971

Uma Igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social

E é que, como afirma o sociólogo José de Souza Martins (1995), “o documento é um dos mais importantes da história social do Brasil” e isso não iria ser tolerado pelos militares.

Em sua carta pastoral de 1971, Casaldáliga propõe uma nova forma de ver tal fato [a superexploração e falta de direitos dos trabalhadores rurais], faz uma longa e dura denúncia e inicia um consistente trabalho pastoral na Prelazia que começa primeiro por desnaturalizar tal violência, depois construindo uma rede de solidariedade entre trabalhadores migrantes e a igreja local.

Lucilene Aparecida Castravechi

XXVII Simpòsi Nacional d'Història. Natal. 2013

«Depois da divulgação dessa carta em 10 de outubro de 1971, que fez eco interna e externamente a Igreja, outros documentos com o mesmo caráter começaram a aparecer em diferentes regiões brasileiras. Dos bispos do Nordeste surgiu o texto “Ouvi os Clamores do Meu Povo” em 1973.

No mesmo ano, foi publicado o documento de urgência “Y-Juca Pirama – o Índio: aquele que deve morrer”, por bispos e missionários da Amazônia.

Do Centro-oeste do país os bispos publicaram o texto “Marginalização de um Povo, o “Grito das Igrejas” em 1974. Em 1980, em um documento
de caráter mais institucional do que esses primeiros, por ter sido publicado pela CNBB, “Igreja e os Problemas da Terra”, analisa e denuncia os resultados do desenvolvimento capitalista no campo brasileiro.», explica Marco António Mitidero, em “A geografia dos documentos eclesiais: o envolvimento da Igreja Católica com a questão agrária brasileira”, da Universidade Federal de Sergipe. 2010.

Leia o Carta Pastoral de 1971

Deixamos a carta em português, como foi escrita, na web amiga de Koinonia: Uma Igreja da Amazônia em conflito com o latifundio e a marginalização social.

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