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LANÇAMENTO: «Ventos de profecia na Amazônia»

LANÇAMENTO: «Ventos de profecia na Amazônia»

Qual é a relevância social, política e eclesial dos 50 anos da Prelazia de São Félix do Araguaia? Como um grupo de religiosos, religiosas e militantes confrontou os “donos de grandes latifúndios e o Estado ditatorial” e as “estruturas da própria Igreja”?

Conheça da mão de Antônio Canuto a organização interna, a ação política, a estrutura pastoral e o trabalho social que fizeram da Prelaiza de São Félix do Araguaia “uma referência obrigatória para a compreensão dos projetos econômicos e dos modelos de sociedade que estavam em disputa na Amazônia; bem como dos projetos eclesiais enfrentados”.

[Contato para venda: (62) 98640-0247]

 

«Desde seu nascedouro a Prelazia de São Félix colocou no centro de suas preocupações os graves crimes contra os povos indígenas, ribeirinhos, posseiros e outras populações tradicionais e a assustadora devastação da Amazônia.

Luta de Davi contra Golias, mas que foi levada adiante nas circunstâncias mais desfavoráveis, tendo contra si o governo militar e seu projeto de ‘ocupação’ e ‘desenvolvimento’ da Amazônia, a ferro e fogo, sem respeito algum ao povo que ali vivia, sem qualquer cuidado com a natureza e a preservação ambiental. O governo financiou a través da Sudam e ‘legalizou’ a ocupação do território pelo latifúndio, a derrubada da floresta e a sua conversão em pastagens.

A Prelazia tinha contra si todo o grande capital nacional e internacional fosse ele comercial, industrial, financeiro. O capital gozou de isenção de impostos, fartos subsídios, financiamentos generosos e todo o apoio militar, jurídico e o que mais necessário fosse para incentivar e depois acobertar seus crimes ambientais e humanos.

Conflictes per terra a l'Araguaia

Quadro da minissérie “Descalço sobre a terra vermelha”, de 2012.

 

A Prelazia também sofreu o ataque sistemático da imprensa escrita, rádio e televisão: jornais e revistas, canais de rádio e televisão, lançaram uma guerra constante de informações distorcidas, calúnias, mentiras e difamações acusando aquela Igreja de ser “contra o progresso” do país e vinculada a interesses estrangeiros que perseguiam a “internacionalização da Amazônia”.
 

A estratégia era que o grito abafado dos expulsos de suas terras, dos indígenas deslocados ou dizimados, atingisse a opinião pública e sensibilizasse o restante da Igreja e da sociedade.

 
Tudo o que aconteceu na Prelazia de São Félix foi um “trailer” do desastre anunciado que se espalharia pela Amazônia nos anos posteriores, com uma diferença notável: na Prelazia houve, desde o início, a denúncia documentada dos excessos sociais e ambientais sofridos e também da resistência corajosa dos pequenos camponeses com o apoio da Igreja local. A estratégia foi que o grito abafado dos expulsos de suas terras, dos indígenas deslocados ou dizimados, atingisse a opinião pública e sensibilizasse o restante da Igreja e da sociedade.

A Prelazia esteve na frente ou ao lado das principais iniciativas contra essa situação ecocida em relação à terra, à água e à mata; etnocida em relação aos indígenas, genocída em relação aos posseiros e ribeirinhos.»
 

“Ventos da Profecia na Amazônia” quer eliminar o risco de perder a memória subversiva do que significou para a Igreja e a sociedade, a profecia da Prelazia de São Félix do Araguaia.

 

Portada de l'edició brasilera: «Ventos de profecia na Amazônia»

Capa do livro «Ventos de profecia na Amazônia»

 

O livro está dividido em 5 partes:

1. Na primeira conheceremos como era a presença da igreja na região do Araguaia e como foram seus primeiros contatos com indígenas, antes da chegada dos missionários claretianos, que assumiram a missão católica.

2. Na segunda parte o livro poderemos ficar por dentro dos detalhes da criação e instalação desta nova Prelazia, da nomeação e ordenação episcopal de Pedro Casaldáliga. Também aprofundaremos no processo de repressão e perseguição sofrido por esta igreja nos primeira década de sua existência, perseguição provinda dos governos militares da ditadura. O livro narra como a atuação desta Igreja com seu bispo incomodavam o Vaticano.

3. Na terceira parte, descobriremos como era a organização interna desta igreja, as equipes pastorais que reuniam bispos, padres, religiosas leigos e leigas todos, homens e mulheres, com direito a voz e voto nas decisões, as assembleias do povo e a avaliação pastoral feita sobre o trabalho desta igreja.

4. Na quarta parte conheceremos as ações pastorais, sociais e políticas da Prelazia: no campo da comunicação com seu boletim mensal Alvorada, no campo da educação popular e indígena; da cultura, da saúde e da militância em prol dos direitos humanos. conheceremos as estratégias seguidas na formação e ação na esfera política e social.

5. A última parte poderemos aprofundar na renúncia por idade de Pedro Casaldáliga, apresentada aos 75 anos, e na angustiada espera pela nomeação de seu sucessor até a chegada, finalmente, do novo bispo em 2005.

O prólogo, de Óscar Beozzo, termina dizendo:

“Parabéns ao seu autor, Antônio Canuto, e meu profundo agradecimento por ter recuperado a história da Prelazia de São Félix do Araguaia, inserido na caminhada da Igreja do Brasil e companheira e parceira de tantas outras Igrejas da Grande Pátria LatinaAmericana, paixão e compromisso de uma vida, de Pedro Casaldáliga.”

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Iª Semana Pedro Casaldáliga

Iª Semana Pedro Casaldáliga

[Programação dos eventos destacados no final da página]

No dia 8 de agosto de 2021 se completa um ano da morte de Pedro Casaldáliga. Seu corpo descansa agora no Cemitério Karajá, em São Félix do Araguaia, onde ele próprio enterrou “centenas de trabalhadores braçais e indígenas, muitas vezes sem nome e quase sempre sem caixão”.

Pedro, porém, sempre dizia que “vamos de vivos a ressuscitados” e por isso temos a certeza de que ele agora vive em cada um e uma de nós e em cada uma das causas, das lutas, às quais dedicou a sua vida.

Nascido em Balsareny, na Catalunha, em 1928, Pedro Casaldáliga ou Pere Casaldàliga em catalão, ingressou na Congregação dos Claretianos muito jovem e, poucos anos depois de ser ordenado sacerdote no Castelo de Monjuïc em Barcelona, ​​já com 40 anos, partiu para a Amazônia brasileira para fundar uma “missão” claretiana.

À beira do Rio Araguaia, na enorme área que do Mato Grosso que faz divisa com o Tocantins e o Pará, Pedro encontrou uma região “esquecida” onde a única lei era “a lei de 38”. Os grandes latifundiários, apoiados pelo governo militar, tinham criado um ‘estado’ baseado na violência, na escravidão e na repressão aos povos indígenas e aos pequenos camponeses. A falta de saúde, de educação, de judiciário ou qualquer estrutura pública desencadeou uma série de conflitos por causa da terra que deixaram centenas de mortos, feridos e refugiados.

Conflictes per terra a l'Araguaia

Fotograma da minisérie ‘Descalço sobre a Terra Vermelha’ lançada em 2014.

 

Casaldáliga ficou do lado dos sem-terra e dos povos indígenas e tornou públicas várias denúncias sobre a situação de exploração na Amazônia, que abalaram o Brasil: perseguição, prisão e tortura logo caíram sobre Casaldáliga e seus colaboradores. Os setores conservadores da igreja católica também conspiraram contra aquela recém criada Prelazia de São Félix do Araguaia, a mais de 1.200 quilômetros ao norte de Brasília.

O legado de Pedro Casaldáliga é universal. Suas lutas são agora assumidas por muitos, muitas. É um guia e um farol para esses tempos.

Casaldáliga sempre foi fiel aos seus ideais, foi coerente com o seu pensamento até ao fim. Além disso, impulsionou e criou diversos movimentos sociais no Brasil, que hoje são referência na luta em favor dos trabalhadores rurais e dos Povos Indígenas. Conseguiu fazer com que na região de sua Prelazia mais de 14.000 famílias tenham hoje um pedaço de terra para morar e graças a ele, entre outros, hoje o combate ao trabalho escravo e os direitos trabalhistas são políticas públicas consolidadas. Casaldáliga criou uma igreja-comunidade participativa, aberta e plural, onde as decisões eram tomadas em assembleia. Além disso, sua influência, visão e perseverança foi essencial para que a CNBB se posicionasse inúmeras vezes contra a exploração do grande capital.

Por isso, no primeiro aniversário da sua Páscoa, a cidadezinha onde nasceu, Balsareny, no interior da Catalunha, e a cidade à qual dedicou metade da sua vida, São Félix do Araguaia, vão acolher várias celebrações com um lema comum: A esperança e a luta pela libertação.

No Brasil, destacamos:

RODAS DE CONVERSA ON-LINE

02/8 – Pedro e a Educação – Carlos Brandão e Mirian Fabia
03/8 – Pedro e a Terra – Dom Ionilton e João Pedro Stédile
04/8 – Pedro e os Povos Indígenas – Lala e Giba
05/8 – Pedro e as Relações de Gênero – Ivone Gebara e Rezende Bruno
06/8 – Pedro e a Democracia Chico Whitaker e Pedrinho de Oliveira

Todos os dias às 19h, no canal de YouTube da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

 
CELEBRAÇÕES EM SÃO FÉLIX DO ARAGUAIA

Do dia 06/8 ao dia 15/8 | 19:00h – Santa Missa | Festejos da Padroeira Nossa Senhora da Assunção
08/8 | 20:30h – Oficio Divino das Comunidades | Visita ao túmulo | Abertura da Exposição “Memórias”
10/8 | 20:30h – Lançamento do livro do Centro de Direitos Humanos Dom Pedro
12/8 | 20:30h – Lançamento do livro «Ventos de profecia na Amazônia: os 50 anos da Prelazia de São Félix do Araguaia»
15/8 | 19:00h – Missa da padroeira Nossa Senhora da Assunção, no cais da cidade.

Lives e mais informações no Facebook da Paróquia Nossa Senhora da Assunção de São Félix.

 
PROGRAMAÇÃO DAS CEBs

08/08 | 15:00h – Um ano da Páscoa de Pedro
CEBs São João Batista – Rua Padre Manoel Campelo, 88 – Vila Perus – São Paulo (SP)
08/08 | 09:00h –  Um ano da Páscoa de Pedro
CEBs Sorocaba – Praça Alexandre Vannuchi Leme – Sorocaba (SP)

 
E na Espanha terá:

08/08 | 19:30h –  Celebração Pascal e atividades culturais no Castelo de Balsareny.
08/08 | 22:00h – Noite temática sobre Pedro Casaldáliga na TV Catalunha (Canal 33).

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COVID-19 em São Félix do Araguaia: Resiliência é o que move ações de enfrentamento nas comunidades locais

COVID-19 em São Félix do Araguaia: Resiliência é o que move ações de enfrentamento nas comunidades locais

Em São Félix do Araguaia, MT, comunidades rurais vêm realizando ações de enfrentamento à covid-19 em meio à grande tragédia humanitária causada pela pandemia que assola o mundo. Para esses homens e mulheres, trabalhar no cultivo da terra, significa também o manejo dos afetos de quem planta e faz germinar esperança de dias melhores, com a certeza de que se pode diminuir a dor de perdas e tristezas causadas pela doença.

A receita é o fortalecimento da convivência familiar, a valorização da presença e da saúde das pessoas queridas, de boas comidas, do tempo para as orações que nos ligam ao divino e às atividades que produzem abundância e geração de renda com a venda de excedentes dos quintais e hortas familiares.

 

Família Alderice Silva de Sousa

Família Alderice Silva de Sousa, Casulo Vida Nova – Foto de Lucas Pimentel.

 

Num trabalho com estas famílias, a Associação de Educação e Assistência Social Nossa Senhora da Assunção (ANSA) e a Organização Ecosocial do Araguaia (OECA), em conjunto com as organizações solidárias Manos Unidas, MISEREOR, a Fundação Pedro Casaldáliga e outros parceiros, vêm apoiando a realização de atividades produtivas com vistas à segurança alimentar, por meio do plantio de hortas e sistemas agroflorestais como o casadão, que fazem parte de um ciclo virtuoso de geração de renda.

Entre outras cadeias produtivas estão a coleta de sementes florestais que são vendidas à Rede de Sementes do Xingu para recuperação de áreas degradadas e a Araguaia Polpa de Frutas com o beneficiamento de frutas que são colhidas em períodos sazonais na natureza e coletadas de plantios nos quintais produtivos em vários assentamentos da região.

 

Sandra Brito de Moraes

Sandra Brito de Moraes – Foto de Lucas Pimentel.

 

Atualmente trinta e uma famílias estão sendo atendidas nas ações de assistência Social desenvolvidas pela ANSA e OECA por meio do plantio de pequenas hortas e concessão de crédito solidário.

 

Estas são iniciativas com a marca de protagonismo das mulheres, que demandaram da ANSA, OECA e os outros parceiros, trazendo a necessidade de ações para incrementar a alimentação das famílias em situação de vulnerabilidade que se intensificou com a chegada da pandemia.

Atualmente trinta e uma famílias estão sendo atendidas nas ações de assistência Social desenvolvidas pela ANSA e OECA por meio do plantio de pequenas hortas e concessão de crédito solidário para apoiar outras iniciativas de geração de renda nas comunidades. Logo serão mais vinte e oito famílias, residentes no P.A. Dom Pedro, P.A. Mãe Maria, P.A. Casulo Vida Nova, P.A. Casulo Boa Esperança, PDS Bordolândia, P.A. Zeca da Doca e P.A. Patizal.

As atividades de plantios são desenvolvidas pelos núcleos familiares, em etapas planejadas coletivamente para a escolha e limpeza do local e depois de tudo pronto e cercado, vem o plantio para o cultivo de um cardápio variado de verduras como alface, rúcula, tomate, couve, coentro, cebolinhas, berinjela, quiabo, jiló e muitas outras variedades sem o uso de venenos.

 

Família Alderice Silva de Sousa

Família Alderice Silva de Sousa, Casulo Vida Nova – Foto de Lucas Pimentel.

 

Com isso, o tema de cuidados com a saúde está presente de maneira ampliada nas famílias, que estão colocando em prática os princípios fundamentais para vencer a COVID-19, com uma boa alimentação, o cultivo de boas relações familiares e os protocolos de distanciamento social que são necessários para a proteção da vida e cuidados com o próximo. Com o aumento de casos de COVID-19 nas comunidades, esses cuidados têm se intensificado cada vez mais para evitar a disseminação do vírus.

 

Na prevenção contra a covid-19, foram distribuídos Kits covid no P. A Dom Pedro, em Pontinopolis, no Casulo Vida Nova, no Casulo Boa esperança. Os Kits continham produtos de higiene como mascarás descartáveis, álcool em gel, sabão em barra e sabão em pó, considerando as regiões de maior incidência da COVID-19.

 

Na prevenção contra a covid-19, foram distribuídos Kits covid no P. A Dom Pedro, em Pontinopolis, no Casulo Vida Nova, no Casulo Boa esperança e também por meio do Sindicato Trabalhadores Rurais do Município de Alto Boa Vista. Os Kits continham produtos de higiene como mascarás descartáveis, álcool em gel, sabão em barra e sabão em pó, considerando as regiões de maior incidência da COVID-19. Esta foi uma ação conjunta da ANSA, Articulação Xingu Araguaia (AXA) e OECA.

 

Desde o início da pandemia que iniciou em março de 2020, mais de 200 cestas básicas foram distribuídas para famílias em situação de vulnerabilidade social e a confecção de máscaras que foram amplamente distribuídas na região.

 

Mais de 200 famílias receberam cestas com produtos de alimentação básica

Mais de 200 famílias receberam cestas com produtos de alimentação básica

 

Para continuar a luta e vencermos o coronavírus, a Agente de Saúde comunitária, no Trevo do Macaco, PA Dom Pedro em São Félix do Araguaia, Rosilene Alves da Silva, lamenta que algumas pessoas, embora sejam uma minoria, apesar de tantas mortes causadas pela doença, continuam se negando a seguir as orientações dos agentes de saúde para adotarem os cuidados preventivos como o isolamento social, o uso de máscaras e a realização de procedimentos rigorosos de higienização que podem salvar vidas.

 

Até o final de junho, a COVID19 já levou a 34 óbitos somente no município de São Felix do Araguaia e provocou mais de 500.000 em todo o país.

 

Rosilene ressalta a importância da vacina e diz que o coronavírus veio para ficar.Para ela, todo esse cuidado é uma expressão de amor ao próximo, evitando que pessoas queridas tenham que se despedir de nós, em decorrência do agravamento da doença, que até o final de junho já levou a 34 óbitos somente no município de São Felix do Araguaia e provocou mais de 500.000 em todo o país.

Enquanto as vacinas não chegam para todos, somente a responsabilidade social e de amor ao próximo podem nos salvar de perder tantas vidas e cada um de nós podemos fazer a diferença, nos conscientizando da importância dos cuidados preventivos não farmacológicos como o uso de máscaras, o distanciamento social e a higienização cuidadosa toda vez que for necessário ir a locais com grande circulação de pessoas como ocorre em bancos e supermercados.

Vamos nos dar às mãos e continuar com a força da agricultura familiar no plantio de boas sementes, das boas práticas e sendo conscientes para dizer não ao coronavírus.

Para se atualizar sobre os casos de covid 19 e calendário de vacinação do município e do Brasil, com dados oficiais acesse: AQUI.

 

Por Liebe Lima | Ana Lúcia Souza Silva

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Barcelona agradece “a utopia fértil” de Casaldáliga

Barcelona agradece “a utopia fértil” de Casaldáliga

“Pedro semeou. Isso é uma evidência”. É uma das muitas frases que nesta segunda-feira à noite evidenciaram que o legado de Pedro Casaldáliga ainda está muito vivo. Duzentas pessoas se reuniram em Barcelona na véspera do Dia de São Pedro para agradecer a maestria do antigo bispo de São Félix do Araguaia. Com uma memnsagem compartilhada: o mundo continua estando ferido e é necessário ser um militante da esperança.

Poucos líderes religiosos conseguem reunir pessoas de tão diversa procedência. De fato, ninguém achou estranho que nesta segunda-feira se falasse do “Reino de Deus” na Praça do Rei de Barcelona. Uma promessa evangélica que norteou a vida de Casaldáliga na construção da justiça e da paz para todos. Um Reino de Deus a ser construído “aqui e agora”, como sublinharam os jornalistas Antoni Bassas e Mònica Terribas, apresentadores desta homenagem cívica. Um evento organizado pela Prefeitura de Barcelona, a Associação Araguaia e a Fundação Pedro Casaldáliga que foi transmitido ao vivo e pode ser recuperado aquí.

Um dos vídeos projetados durante a homenagem recordou o testamento vital de Dom Pedro: “Optem, optem verdadeiramente pelos pobres, escolham uma Igreja-comunidade, de irmãos e irmãs iguais, sem poder”, disse. Dezenas de representantes de diversas entidades, amigos e companheiros ativistas, desde a Catalunha até o Mato Grosso, destacaram sua vida simples e coerente. Todas as testemunhas descreveram o “privilégio” de ter conhecido uma pessoa excepcional. Exemplo honesto, referência ética para os incrédulos. Como disse o jornalista e ativista social David Fernández: “Pedro Casaldáliga será sempre uma utopia fertil; as coisas bem feitas, as verdadeiras, duram para sempre”.

“Muito obrigado a todas as entidades amigas que assumiram a causa de Pedro como um instrumento transformador para toda a sociedade”, disse Gloria Casaldáliga, presidente da nova Fundação Pedro Casaldáliga. “Sabemos que vivemos tempos complexos e que a tarefa não será fácil”, afirmou, lembrando as dificuldades que o Brasil e a região do Araguaia enfrentam.

Estiveram também presentes o ator Eduard Fernández, o teólogo e colaborador da Agenda Latino-americana Jordi Corominas, a artista catalã-brasileira Priscila Barbosa, assim como as vozes do ativista Arcadi Oliveres, pouco antes de sua morte, o capuchinho Michael Moore, o abade de Montserrat, Josep Maria Soler, a dominicana Lucía Caram ou a atriz Núria Valls, entre outros amigos e colegas de Casaldáliga.

Como religioso, como bispo no Brasil, como poeta universal, Pedro sempre defendeu os direitos dos agricultores e dos sem-terra. E ele o fez sempre com sensibilidade poética, com tenacidade e também com senso de humor. “Aos meus católicos na Catalunha: devemos levar a Igreja com um pouco de bom humor”, disse ele. E, sobretudo, sustentada na esperança, o eixo desta nova homenagem conjunta.

A homenagem contou com a presença de uma boa representação de missionários claretianos na Catalunha, como Joan Soler, da Associação Araguaia, o provincial de San Pablo, Ricard Costa-Jussà, o delegado na Catalunha, Máximo Muñoz, o presidente da ONG Contato Solidario , Josep Roca, e a diretora do Casal Claret em Vic, Anna Larios. Também houve representações políticas, como a prefeita de Balsareny, cidade natal de Casaldàliga, Noelia Ramírez, e Albert Batlle, vereador da Câmara Municipal de Barcelona. Além de parentes de Casaldáliga e personalidades e entidades amigas, como M. Victoria Molins da Teresia, o delegado de Manos Unidas Barcelona, ​​Mireia Angerri, Eudald Vendrell, Miquel Torres e Josep Maria Fisa, presidente, diretor e conselheiro de Justiça e Paz Barcelona respectivamente, Xavier Garí em nome da organização Cristianismo e Justiça.

Texto de Laura Mor, publicado primeiro em Catalunya Religió.

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Homenagem a Pedro Casaldáliga

Homenagem a Pedro Casaldáliga

A Prefeitura de Barcelona, ​​a Associação Araguaia e a Fundação Pedro Casaldáliga celebram uma homenagem conjunta a Pedro Casaldáliga na cidade de Barcelona. O evento será realizado na próxima segunda-feira, dia 28 de junho.

Apresentado pelos jornalistas Mònica Terribas e Antoni Bassas, contará com a participação dos atores Eduard Fernàndez, Clara Segura e Núria Valls, além da artista catalã-brasileira Priscila Barbosa.

A palavra direta, clara e sempre lúcida de Casaldáliga será a protagonista principal, acompanhada ao piano pelo músico Carles Cases e acochegada por dezenas de testemunhas que trabalharam com ele e que o conheceram profundamente, do mundo todo.

Casaldáliga foi uma das referências mais importantes na luta pela terra e a favor dos Povos Indígenas da Amazônia. Desde sua morte em 8 de agosto e devido à pandemia, as entidades convocadoras não puderam se despedir deste claretiano internacional como gostariam. Portanto, uma vez que as restrições o permitem, e coincidindo com a véspera de São Pedro, este ato de memória será realizado aberto ao público.

Devido à situação atual, haverá ainda limitações de capacidade, mas o evento completo poderá ser acompanhado ao vivo no site da Fundação Pedro Casaldáliga (www.fperecasaldaliga.org), em sua conta no Facebook e no canal YouTube da Prefeitura Municipal de Barcelona.

Em 26 de março de 2021, o plenário da Prefeitura Municipal de Barcelona aprovou por unanimidade a entrega da Medalha de Ouro pelo Mérito Cívico, postumamente, a Pedro Casaldáliga “em reconhecimento à sua luta permanente contra os abusos de poder e a exploração, e pelo seu firme compromisso com a justiça social, a igualdade e a dignidade dos Povos Indígenas”.

 

Fundação Pedro Casaldáliga

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Os 8 traços fundamentais para se tornar um homem ou mulher “nova”

Os 8 traços fundamentais para se tornar um homem ou mulher “nova”

Com maior ou menor lucidez, com uma lógica vital mais ou menos consistente, faz tempo que descobrimos a sociedade como um sistema, dentro da estrutura que nos envolve e nos condiciona, sob a inevitável solicitação da conjuntura diária.

A Igreja, boa conhecedora da eternidade e menos conhecedora da história, durante séculos, muitas vezes, considerou apenas às pessoas ou os indivíduos; ou, ainda mais dicotomicamente, às vezes só considerava as almas…

Sem nunca deixar de enfrentar aquela globalidade estrutural na qual a história humana é forjada e dentro da qual o Reino acontece, devemos agora redescobrir, de forma comprometida, a pessoa, membro da sociedade e protagonista da história e do Reino.

O homem e a mulher são seres estruturados e estruturantes. A história, o sistema e o Reino o fazem, mas, por sua vez, ele faz o sistema, a história e o Reino.

Pedro passeando à beira do rio Araguaia

Em nossa América Latina, por exemplo, hoje acordando convulsivamente para a segunda libertação total, dois grandes homens marxistas proclamaram, com suas palavras e com suas vidas – e com sua morte-, a utopia do novo homem, o sonho incontrolável do “homem da manhã” : Ché e Mariátegui. E na revista “Amanecer” de março e abril deste ano de morte e Graça de 1982 acabo de ler um trecho do premiado livro do comandante sandinista, Omar Cabezas, sobre “o olhar do novo homem” e “o novo homem que está na montanha…”. [Casaldáliga se refere à obra disponível AQUI.]

A reflexão e a experiência de uma espiritualidade de libertação na América Latina (no Terceiro Mundo, no mundo em geral, creio sinceramente), deve ter como consideração e exigência básica a utopia necessária do novo homem.

Há dias estou tentando esboçar, para mim mesmo, os traços fundamentais do novo homem. E essa tentativa é o que ofereço agora, como uma contribuição gaguejante ao livro da DEI sobre “Espiritualidade e Libertação na América Latina”.

Nossos teólogos, nossos sociólogos, nossos psicólogos e nossos pastores dirão sua palavra principal, cientificamente. E nossos santos e nossos mártires tornarão realidade – eles já o estão fazendo com uma grande efusão – a face latino-americana do novo homem.

As características do novo homem seriam, em minha opinião:

1. A LUCIDEZ CRÍTICA

Uma atitude de crítica “total” aos supostos valores, mídia, consumo, estruturas, tratados, leis, códigos, conformismo, rotina…

Uma atitude de alerta, impossível de subornar.

A paixão pela verdade.

2. A GRATIDÃO ADMIRADA, DESLUMBRADA

A gratuidade contemplativa, aberta à transcendência e acolhedora do Espírito. A gratuidade da fé, o viver da Graça. Viver em um estado de oração.

A capacidade de ficar maravilhado, de descobrir, de agradecer.

Amanhecer todos os dias.

A humildade e a ternura da infância evangélica.

O maior perdão, sem mesquinhez e sem servidão.

3. A LIBERDADE DESINTERESSADA

Ser pobre para ser livre diante do poder e das seduções.

A livre austeridade daqueles que estão sempre em peregrinação.

Uma morigerada vida de combate.

A liberdade total daqueles que estão dispostos a morrer pelo Reino.

4. A CRIATIVIDADE EM FESTA

A criatividade intuitiva, desinibida, bem humorada, lúdica, artística.

Viver em estado de alegria, de poesia, de ecologia.

A afirmação de autoctonia.

Sem repetições, sem esquemas, sem dependências.

5. A CONFLITIVIDADE ASSUMIDA COMO MILITÂNÇA

A paixão pela justiça, em espírito de luta, pela paz verdadeira.

A teimosia incansável.

A denúncia profética.

A política, como missão e como serviço.

Estar sempre definido, ideologicamente e experiencialmente, do lado dos mais pobres.

A revolução diária.

6. A FRATERNIDADE IGUALITÁRIA

A igualdade fraterna.

O ecumenismo, por cima da raça e da idade e do sexo e do credo.

Conjugar a mais generosa comunhão com a salvaguarda da própria identidade étnica, cultural e pessoal.

A socialização, sem privilégios.

A verdadeira superação econômica e social das classes que existem, para o surgimento de uma única classe humana.

7. O TESTEMUNHO COERENTE

Ser o que se é. Falar o que se acredita. Acreditar no que se prega. Viver o que se proclama. Até as últimas conseqüências e nas minúcias diárias.

A disposição habitual para o testemunho do Martírio.

8. A ESPERANÇA UTÓPICA

Histórica e escatológica. Desde o hoje para o amanhã. A esperança credível das testemunhas e construtores da ressurreição e do Reino.

É sobre utopia, a utopia do Evangelho. O homem novo não vive apenas de pão; ele vive de pão e de utopia.

Apenas os homens novos podem fazer o mundo novo. Penso que estes traços correspondem aos traços do Homem Novo Jesus. Foi assim que Ele viveu utopicamente; foi assim que Ele ensinou em Belém, na Montanha e na Páscoa; foi assim que Seu Espírito, derramado em nós, nos configurou com cuidado.

 

Publicado no livro “Experiência de Deus e Paixão pelo Povo. Escritos Pastorais”, em 1983.

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