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5 mulheres na diocese de Casaldáliga

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5 mulheres na diocese de Casaldáliga

5 mulheres que viveram vários anos ao lado de Casaldáliga nos oferecem a sua testemunha de como foi a sua vida na igreja de São Félix do Araguaia.

25 de novembro de 2020

A vida de Pedro Casaldáliga

Jeane Bellini
Integrante da Equipe de Casaldáliga de 1983 até 2005

Pedro nos convidou para criar um modelo circular, inclusivo, de Igreja inserida na vida sofrida dos povos, em suas lutas e resistências, diante das ameaças e violência do latifúndio e da ausência e omissão do Estado.

Pedro nos propôs equipes mistas, de leigos e leigas, religiosas e padres, sem hierarquias. Vivemos nos povoados e aldeias, convivendo com os povos, enfrentando juntos os desafios. Aprendemos muito e a caminhada foi marcada por momentos fortes de celebrações e retiros. Nós bebíamos da espiritualidade do Pedro, que permeava tudo que ele fazia. Celebramos tudo, a vida, a morte, a luta, a derrota e a vitória.

As romarias que realizamos ao longo dos anos foram impregnadas com a espiritualidade do Pedro, que se tornou a nossa espiritualidade encarnada na re- alidade sofrida dos povos e comunidades da região. O povo a caminho, Pedro no meio, é o sacramento indelevelmente gravado em nossos corações.

Ao longo de 22 anos, tive o privilégio de fazer parte da construção de um modelo de Igreja-Povo-de-Deus, sem hierarquias. Nem usávamos os títulos de leiga, leigo, padre, irmã, bispo. Nós nos chamávamos pelo nome, não por categoria. Cada membro da Igreja, da equipe pastoral, assumia e partilhava a missão.

La Selme celebra Missa amb el Pere Casaldàliga

A Selme celebrou missa muitas vezes em São Félix. Imagem: Selme de LIma Pontim

Selme de Lima Pontim
Mais de 20 anos na Prelazia de São Félix do Araguaia

Durante minha estada em São Félix, celebrei muitas vezes, até mesmo na Catedral. Nunca fui barrada, pelo contrário, fui sempre incentivada a es- tudar. Fiz curso no CEBI por correspondência e Teologia do pluralismo religioso pela internet. Sentia a alegria de Pedro por estar avançando na caminhada. Até hoje, dificilmente, uma mulher pode ler o evangelho durante as missas. Eu não só lia como fazia homilia. Isso há mais de dez anos atrás.

Dailir Rodrigues da Silva
Nascida na Prelazia de São Félix do Araguaia

Sou Dailir, nascida na Prelazia de São Félix do Araguaia. Sou da Prelazia desde a barriga da minha mãe, pois ela era uma mulher ativa na comunidade.

Vivi na Prelazia como agente de pastoral liberada para os trabalhos das comunidades por seis anos. Fiz parte dos conselhos das comunidades local, regional e geral da Prelazia. Eram espa- ços onde todos e todas tinham direito à voz e vez. Não havia reunião separada de padres e de freiras para decisões da vida da comunidade ou da Prelazia.

Pedro e os presentes tinham o mesmo direito de fala e de decisão tudo era discutido, refletido e votado. Nem o evangelho e nem a partilha da palavra eram posse do padre, mas de toda a comunidade. Era assim nossa vida na comunidade.

As casas das equipes de pastoral eram casas da comunidade, não a casa do padre. Mulheres e homens eram acolhidas com o mesmo carinho e respeito.

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Conheça MAIS sobre Pedro Casaldáliga e seu trabalho na Amazônia.

Feito desde o Araguaia e desde Barcelona!

Tânia Oliveira
20 anos com Casaldáliga

Minha filha Gabriella (aos 6-7 anos), certa vez, perguntou: «Pedro, por que as mulheres não podem celebrar missa?» Ao que ele respondeu, com um largo sorriso: «Gabriella, eu tinha esperança de ver isso acontecer. Acho que não viverei o suficiente para ver, talvez sua mãe veja, mas mantenho viva a esperança de que você ainda verá isso acontecer». E acrescentou: «Não vejo nada que as impeça de realizar tudo o que nós, padres, realizamos e creio que possam fazer ainda melhor!»

Vivi em sua casa por três anos. No primeiro ano, apenas eu, ele e a Tia Irene, religiosa. Sempre me respeitou e valorizou-me como missionária leiga.

Maria Aparecida Rezende
Nascida no Araguaia

Eu tinha 14 ou 15 anos, depois da minha primeira comunhão, eu já comecei a ser catequista. Tínhamos uma reunião de jovens para preparar a cele- bração da missa. Era época de festejos (1978), então precisávamos arrumar a igreja e preparar a missa com Pedro e o padre Clélio.

Nessa ocasião, a briga entre nós era porque os meninos queriam preparar a missa pois eram homens e não iriam lavar a igreja, os bancos. Pedro chegou na hora e disse: «Hoje vamos ter uma missa de mulheres. Os meninos vão lavar a igreja».

Ficamos muito felizes, mas achando aquilo tudo muito esquisito, os meninos iam fazer os “serviços das mulheres”? Quando contei isso em casa, meus irmãos disseram que esse povo da Prelazia era muito esquisito. Pedro ensinou-nos que fazer comida, lavar louças era também coisas de homens. O povo do sertão achava esquisito, mas foram se acostumando.

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26 de novembro de 2020

As causas de Pedro Casaldáliga

Uma coisa pode ser dita com certeza: a continuação do status quo, do sistema capitalista global como o conhecemos hoje, é uma impossibilidade ecológica.

O capitalismo, para se manter estável, requer uma taxa constante de crescimento. Uma taxa de crescimento relativamente modesta de 3% ao ano significa dobrar a economia mundial a cada 25 anos. Portanto, o crescimento “saudável” sempre implica um crescimento exponencial.

Como o economista Kenneth Boulding apontou há muito tempo, apenas um louco ou um economista poderia acreditar que o crescimento exponencial pode continuar para sempre em um mundo finito.

Dona del Poble Indígena Xavante, a l'Araguaia

Para os povos indígenas não existe a acumulação; as dívidas não existem. Fotografia: ANSA

Hoje, o decrescimento não é uma opção , mas sim uma necessidade imposta pela impossibilidade de um crescimento econômico eterno, do qual já experimentamos efeitos devastadores. Serge Latouche expressa isso claramente em seu lema: “Degrowth or barbarism”. Apenas uma parte da humanidade pode continuar a crescer, literalmente matando a outra.
A única chance para a humanidade como um todo sobreviver é baseada na frugalidade e na autolimitação.

O grande inimigo do decrescimento é o sistema econômico e a religião que o sustenta: o consumismo desenfreado e a obsessão pelo enriquecimento econômico.

O grande inimigo do decrescimento é o sistema econômico e a religião que o sustenta: o consumismo desenfreado e a obsessão pelo enriquecimento econômico.

Em um mundo onde os milionários são invejados e a população se maravilha com o esplendor dos grandes luxos, o decrescimento não parece atraente. No entanto, muitos “estudos da felicidade” verificam o que os ensinamentos religiosos tradicionais sempre sustentaram: além de um certo ponto, mais consumo não aumenta a felicidade geral.

Hábitos austeros e altas doses de solidariedade e empatia melhorariam a vida física da maior parte da humanidade e a vida espiritual das minorias ricas.

Como Gandhi afirmou, “A terra fornece o suficiente para as necessidades de cada homem, mas não para a ganância de cada homem.”

Treball al camp de l'Araguaia

O Alenira e o “Xéxéu”, do Araguaia, vivem do que cultivam. Sem poluir e sem depender de ninguém. Fotografia: ANSA.

[Na mídia] não haverá esboços de um sistema econômico que nos permita evitar uma catástrofe.

Diz-se que é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo e, de fato, os meios de comunicação não param de evocar cenários apocalípticos: Terceira Guerra Mundial, inverno nuclear, vírus que matam grande parte da humanidade, entrando no ponto sem volta das mudanças climáticas.

Não haverá esboços de um sistema econômico que nos permita evitar a catástrofe, o ponto sem volta. No entanto, desde a segunda metade do século XX, quando ficou claro que o modelo soviético de planejamento central não funcionava mais, muitas pesquisas foram feitas sobre essas alternativas viáveis ​​ao capitalismo .

Os motivos pelos quais foram tão pouco divulgados e pouco conhecidos são diversos, sendo o mais óbvio que os privilegiados do sistema atual defendem com unhas e dentes os seus privilégios, mas também é verdade que é sempre mais fácil destruir em vez de construir, adivinhar em vez de desenhar futuros possíveis , ser endurecido pelo medo do que investir na reflexão para seguir em frente.

Entre os diferentes modelos, acho “Economic Democracy” de David Schweickart muito interessante, que …

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Faça uma visita virtual-espiritual ao túmulo de Pedro Casaldáliga, conhecendo os lugares mais significativos de sua vida no Araguaia.

Aproveitando as imágens do Google Maps e com as fotografias que colocamos à sua disposição visitaremos espiritualmente a cidade de São Félix do Araguaia, onde Casaldáliga chegou em 1968 e morou até o dia de sua morte em 8 de agosto de 2020.

Imagem 1: o entorno

Essa é uma animação do lugar onde se encontra a cidade onde Casaldáliga viveu por mais de 50 anos e onde foi sepultado no passado 12 de agosto: São Félix do Araguaia.

A cidade está situada no centro-oeste do Brasil; no Mato Grosso; na divisa com o Tocantins; no extremo sul da Amazônia; a 1.200 km ao norte de Brasília.

São Félix do Araguaia conta hoje com 11.000 habitantes embora o município tem uma área equivalente a metade de toda a Bélgica.

Emancipado politicamente em 1976, a cidade está situada à margem de um dos grandes rios do Brasil, o Rio Araguaia. Lá, «o rio mais lindo do mundo», como o chamou Casaldáliga, atravessa a região de sul a norte, embora o faça em curvas sinuosas, como os grandes rios tropicais. De sua passagem por São Félix, ainda lhe restam mais de mil quilômetros para desaguar, juntando-se ao rio Tocantins, no Amazonas.

L'entorn de São Félix do Araguaia

Toda a Prelazia da qual Casaldáliga foi bispo está dentro da «Amazônia Legal» .

No entanto, a vegetação da região é fruto do encontro dos dois maiores biomas do Brasil: de um lado, encontramos inúmeras expressões vegetais típicas da savana mais biodiversa do mundo, o Cerrado; e, do outro lado, podemos nos sentir dentro da grande exuberância característica da floresta amazônica.

Imagem 2: a cidade

Aproximació a São Félix do Araguaia

Mais perto, a mil metros de altura, podemos avistar toda a cidade de São Félix, entre o rio Araguaia ao leste (à direita da imagem) e a saída da cidade pela estrada de terra (a Rodovia BR-242) à oeste (esquerda).

Na margem direita do rio Araguaia está a Ilha do Bananal, «a maior ilha fluvial do mundo», do tamanho de El Salvador, localizada entre os dois braços do Araguaia.

Na imagem também podemos ver o pequeno aeroporto municipal localizado no bairro chamado Vila Santo Antônio.

Abrindo o link do Google também se poderá ver a «casa do bispo» onde Casaldáliga morou por mais de 30 anos . É uma casa exteriormente muito semelhante às outras casas vizinhas, embora por dentro seja uma das mais simples de toda a rua, ainda hoje. Este era o ‘palácio episcopal’ da Prelazia.

Imagem 3: o centro

Centre de São Félix do Araguaia

Descemos mais um pouco para ver São Félix com mais detalhe. Em primeiro lugar, destaca-se esse «triângulo», que é o que poderíamos chamar de bairro «velho» da cidade. No topo, à direita, encontra-se o Cemitério Karajá, onde está a sepultura de Pedro Casaldáliga e para onde vamos. À direita o grande rio Araguaia, descendo para o norte (acima na imagem), em direção ao Amazonas.

No centro da imagem você também pode ver a igreja deste bairro triangular. Trata-se da Catedral de São Félix do Araguaia . Nela se poderá ver o mural que Casaldáliga ecomendou ao pintor Maximino Cerezo Barredo e que se tornou o ícone mais difundido e reconhecido da Igreja da Libertação. Na fachada da Catedral podemos ver outro grande mural, feito de azulejos, também de Cerezo Barredo, representando a Assunção de Maria, padroeira do templo (ambas as imagens, e outras do local, podem ser vistas no Google Maps ou indo AQUI).

À esquerda da imagem, vemos realçada novamente a «casa do bispo» , no final do bairro antigo, próxima do outro grande bairro da cidade. Foi Casaldáliga quem escolheu a casa, pela sua simplicidade e pela sua pobreza: as paredes de tijolo de barro, o telhado “Eternit”, as janelas de tábua que se fecham rodando uma tramela de madeira, o chão de cimento, sem cerâmica … e as portas sempre abertas. A porta do quarto de Casaldáliga foi sempre uma cortina simples: nunca teve porta em seu quarto.

Um pouco mais à direita da imagem, entre a casa de Pedro e a Catedral de São Félix, encontramos a sede da associação que Casaldáliga e a sua equipe fundaram durante a ditadura militar para trabalhar junto aos camponeses e os povos indígenas: a Associação ANSA , que ainda é referência de ação social no Araguaia graças a doações solidárias de pessoas ao redor do mundo.

Imagem 4: Os “missionários”

Primera Esglèsia

Descemos mais um pouco para chegarmos mais perto do centro de São Félix. Quando os missionários claretianos chegaram com Casaldáliga em julho de 1968, a cidade era apenas um povoado junto ao rio.

A menos de 100 metros do cais, havia a pequena capela sertaneja, o sino era sustentado por dois troncos de árvore. Por aquela pequena capela, aproximadamente uma vez a cada ano, passavam alguns missionários, principalmente salesianos, para celebrar missa e administrar os sacramentos às pessoas da região. Eram as famosas «desobrigas» (celebrações da Páscoa…).

P

Os claretianos Pedro, José María Gil e Leopoldo Belmonte, junto a um grupo de posseiros em frente à primera capela de São Félix. Imagem: Arquivo Prelazia de São Félix do Araguaia.

No local onde estava aquela primeira capelinha, foi erguida uma cruz como lembrança, que ainda podemos ver nas imagens que te oferecemos no GoogleMaps.

Casaldáliga morou primeiro ao lado dessa primeira capelinha. No quintal daquela primeira casa foram plantadas duas mangueiras , que hoje têm mais de 50 anos e se erguem majestosamente, reverenciando o rio Araguaia.

Daquela varando sobre o rio, em uma noite de luar, Casaldáliga escreveu seu poema para o Che, escutando comentários internacionais sobre ele no rádio de onda curta:

«Escucho, al transistor, cómo te canta
la juventud rebelde,
mientras el Araguaia late a mis pies,
como una arteria viva,
transido por la luna casi llena.
Se apaga toda luz. Y es sólo noche

….

Primeira Capela e casa dos Padres em São Félix

«A casa que se vê ao lado é a primeira casa da Prelazia, onde o Pedro e eu moramos em 1969 e 1970. Era uma casa com apenas um quarto e a cozinha. Foi a casa onde se hospedava Leonardo Vilas-Boas e depois, até a nossa chegada, foi uma casa onde se vendia carne. Durante o ano de 1970 foi construída outra casa, porque a equipe foi crescendo e onde hoje é a sede da Prefeitura Municipal … ». (Leopoldo Belmonte)

Esta nova casa, bem como a casa das irmãs de São José, vindas para se incorporar à Prelazia recém criada, foram construídas na primeira fileira de casas à beira do rio, em frente à capela. Logo foi necessário construir uma igreja maior, que é a atual Catedral da Prelazia de São Félix do Araguaia.

Imagem 6: O funeral

Centro Comuniário Tia Irene

Ao Norte de São Félix do Araguaia, já quase na saída da cidade, poderá ver o prédio do «Ginásio», a primeira escola de ensino fundamental completo que a região teve. Era a prioridade pastoral para o desenvolvimento integral do Araguaia. A Irmã Irene Franceschini, chanceler da Prelazia e alma do impressionante Arquivo da mesma, foi também a secretária dessa primeira escola.

Apesar de ter sido desmantelado pela ditadura em 1973 o «Ginásio Estadual do Araguaia» tornou-se referência da educação na região e no estado de Mato Grosso e foi semente da formação política de muitos e muitas no Araguaia.

O prédio do ginásio foi transformado em Centro Comunitário para as diversas atividades da Prelazia e hoje se chama, «Centro Comunitário Tia Irene» , em homenagem à mulher que dedicou sua vida ao Araguaia. Nesse local se realizou a celebração eucarística da Páscoa de Pedro, que muitos de nós e vários milhares de pessoas em todo o mundo acompanhamos online.

No dia do enterro de Casaldáliga, a procissão saiu para a rua (em direção ao rio), dobrou à esquerda, para o norte, levando o corpo de Casaldáliga para o cemitério, a cerca de 200 metros. Seu caixão foi carregado pelo povo, pelos agentes de pastoral e pelos «guerreiros indígenas Xavante», pintados com suas cores rituais.

[Pensemos por um momento no significado de valor histórico da imagem de um Povo Indígena carregando o corpo de um bispo, talvez único neste Continente indígena conquistado pela Cruz e pela Bíblia: guerreiros de um Povo Indígena sepultam com as mais altas honras um bispo missionário que sempre foi «contra a Conquista e sua mal chamada evangelização»].

Imagem 5: O lugar da ressurreição

Tomba on descansa Pere Casaldàliga

Esta é uma vista de perto do túmulo de Pedro Casaldáliga. Estamos perto o suficiente para «adivinharmos» a terra que abraça seu caixão, embaixo de um pé de Pequi (pequizeiro, Caryocar brasiliense), a 50 metros da água do Araguaia, que beija e mima, com devoção, o humilde morro do cemitério.

Este retângulo vertical, sugerido por suas pequenas paredes, é o cemitério onde foram sepultados os ancestrais indígenas, «legítimos imperadores da América», como Casaldáliga os chama na «Missa da Terra sem males»

Praticamente até o início do século 20, toda a região era habitada apenas por esses povos e São Félix só teve habitantes não indígenas a partir de 1941. Porém, com a chegada do agro-capitalismo, principalmente a partir dos anos 60, – desta vez não em busca de ouro, mas de terra, latifúndio -, o cemitério teve que receber os trabalhadores sem terra; os ‘peões‘ maltratados e mortos pelos latifundiários e as companhias do agronegócio; as crianças morrendo de fome e malária … e a própria população local.

Casaldáliga explica com paixão testemunhal em seu «diário de missão» como a sua alma se quebrava com os enterros que ele próprio celebrou nos seus primeiros anos de missão neste cemitério.

Por isso, em seus últimos anos, pediu, «se não fosse um privilégio», ser sepultado ali, junto com os índios, os sem-terra, os peões, as crianças,…as pessoas anônimas do Araguaia, os mais pobres, «quase sempre sem caixão, muitas vezes sem nome»…

Imagem 6: Diante do túmulo de Casaldáliga

Pedro Casaldàliga descansa pa beira do Rio Araguaia

Você está diante do túmulo de Pedro Casaldáliga.
Recolha-se, em um momento de silêncio,
em plena comunhão com este irmão.

Obrigado por ter nos acompanhado

Para facilitar a visita, você pode usar os links a seguir:

Uma vez com o mapa de São Félix na tela, identifique esses seis pontos (cada um marcado com seu pequeno círculo como um marcador de local):

1) Na avenida que cruza a cidade ao pé do morro, encontramos a Casa do bispo Pedro Casaldáliga: AQUÍ

2) Um pouco mais pra direita (indo para o rio), veremos a Associação ANSA, fundada por Casaldáliga e a sua equipe en plena ditadura militar para trabalhar junto aos camponeses e indígenas e que ainda funciona graças às doações solidárias.

3) Na mesma avenida, podemos encontrar a Catedral Nossa Senhora da Assunção, onde o Pedro celebrava missa todos os domingos.

4) A primeira Igrejinha (capelinha) de São Félix do Araguaia, antes de ter sido criada a Prelazia, na beira do rio Araguaia, próxima à Prefeitura Municipal.

5) No lugar mais ao norte da cidade, poderemos ver o túmulo de Pedro Casaldáliga, no cemintério Karajá, no lugar mais ao norte da cidade.

6) Antes, poderemos ver o Centro Comunitário ‘Tia Irene’, lugar de reuniões da Prelazia e de toda a cidade, construído com a solidariedade da Catalunha e onde se encontra o Arquivo da Prelazia de São Félix do Araguaia, que tem mais de 250 mil documentos classificados.

Em cada um desses lugares, se você clicar no pequeno círculo, poderá ver varias fotografias que estamos postando. São muitas imagens, incluindo a celebração do sepultamento de Casaldáliga.

José Maria Vigil e
Raul Vico, Associação ANSA

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2 de novembro de 2020

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No ano passado foi notícia mundial: A Amazônia está sendo destruída por incêndios sem precedentes.

Fotografias chocantes das queimadas que atingiram matas e florestas apareceram nos noticiários de televisão, nos jornais e sites na Internet.

Muitas ONGs, movimentos e até atores internacionais publicaram documentos exigindo soluções diante desse crime ambiental contra a humanidade.

Queimada em uma das comunidades onde trabalhamos no Araguaia.

A realidade, porém, é que a Amazônia vem sendo queimada há muitos anos.

Há décadas que as famílias que moram aqui denunciam e reclamam que a destruição da floresta prejudica seus plantios, sua saúde e limita a sua capacidade de obter alimentos e até de dispor de água!

No entanto, 2019 e 2020 serão lembrados como anos em que a Amazônia queimou como fazia décadas não o fazia. A destruição deste bioma fundamental atingiu limites insuspeitados.

Por quê? O que aconteceu nesta região do Araguaia? Por que a Amazônia queima tanto? Estes são 4 dos motivos principais!

1. O cenário perfeito

A região da Prelazia de São Félix do Araguaia abrange uma área de aproximadamente 150.000 km2 dentro da Amazônia Legal . Está situada ao nordeste do estado de Mato Grosso, na divisa com o Tocantins e o Pará, a cerca de 1.200 km ao norte da capital brasileira, Brasília.

O primeiro elemento que precisamos considerar para entender os incêndios é, portanto, “as distâncias”: o espaço ocupado pela Prelazia de São Félix do Araguaia é maior que toda a Grécia ou toda a Nicarágua…e equivalente a todo o Ceará! .

A região do Araguaia se encontra na Amazônia Legal, a 1.200 ao norte de Brasília, entre os biomas Cerrado e Amazónico.

Nesta extensa região temos o privilégio de testemunhar uma rica transição de biomas: do Cerrado, o bioma mais biodiverso do mundo, até a Amazônia. Esse fato confere uma riqueza única de formas de vida vegetal e animal, que se estende desde as savanas do Cerrado até a densa floresta amazônica.

A característica geográfica mais marcante, no entanto, é que esta região está localizada entre dois dos grandes rios da América Latina: o Rio Araguaia e o Rio Xingu.

Também tem dentro de seus limites duas grandes e lendárias terras indígenas de proteção ambiental: o Parque Indígena do Xingu, a oeste e a Illa del Bananal, ao leste.

Esta configuração implica também que a região possui poucas estradas de acesso, muitas das quais em condições precárias.

A rodovia principal é a BR-158, que corta a região de norte a sul e ainda tem mais de 200 km sem asfalto. Isso significa que neste Araguaia viajar para qualquer cidade de mais de 50.000 habitantes significa fazer entre 15 e 24 horas de ônibus.

Vista aérea da cidade de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, na divisa com o estado de Tocantins.

Trata-se de uma região pouco povoada, pois em 2010 (último censo oficial) moravam aqui 125.271 pessoas. Nenhum dos 15 municípios que formam a área da Prelazia de São Félix do Araguaia supera os 35 mil habitantes. Neles, 43% da população vive na área rural.

Confresa, atualmente com 30.000 habitantes (estimativa), e Serra Nova Dourada, onde moram 1.365 pessoas, são os municípios mais grande e mais pequeno respectivamente.

Nesse sentido, é preciso entender a Amazônia e, concretamente esta região do Araguaia como uma enorme extensão, do tamanho de alguns países, relativamente pouco habitada, onde as cidades estão separadas por grandes distâncias e as vias de acesso são muito precárias.

2. O material inflamável

No Araguaia, o principal sector económico são os serviços, que representam a metade da economia regional. A outra economia é a produção agrícola.

Os serviços incluem actividades como o comércio, a construção e as relacionadas com a administração pública.

Ja a produção no campo se concentra na cria extensiva de gado e na produção de soja e outros grãos em grande escada.

De fato, uma das particularidades da ocupação do território no Araguaia é a relação entre a população humana e o rebanho bovino: Aqui temos 22 cabeças de gado por cada habitante.

No Brasil há 53 hectares de terras dedicadas à pecuária: equivalentes a toda França.

Há de certo uma há uma causalidade estreita entre a baixa densidade populacional e o peso da pecuária: a pecuária extensiva precisa de grandes territórios para se desenvolver, com mão de obra escassa, para que processos limitados de acumulação de capital sejam gerados em relação ao espaço ocupado.

O resultado são as baixas taxas de densidade populacional em comparação com outras regiões com uma economia mais avançada e diversificada.

Este modelo económico foi construido sobre a base de uma forte política de incentivos fiscais que pretendia a instalação de grandes projetos agrícolas na Amazônia e que começou a ser incentivada sistematicamente na década de 1960…e que se tem fortalecido nas últimas décadas e adotado como política federal desde a chegada de Bolsonaro.

Ao mesmo tempo, as políticas públicas para os agricultores familiares tem priorizado o mesmo modelo produtivo das grandes : nesta região tem animado e incentivado financeiramente o desmatamento e a monocultura.

O modelo económico que os poderos escolheram para a região vem sendo implementado há 60 anos: primeiro, apoiado e financiado pela ditadura militar e executado pelo latifundio; e, nas últimas décadas, pelo financiamento público (de novo), veiculado pelas grandes coorporações sobre a base das escassas e mal executadas políticas realistas para a vida das famílias no campo.

3. O combustível mais eficaz

Ao mesmo tempo em que a pecuária aumentou exponencialmente durante os últimos 15 anos (concretamente em 15 milhões de cabeças de gado), tem havido uma presença crescente da agricultura industrial em grande escada. A soja é o principal cultivo e ocupa quase 80% do total das áreas agrícolas da região.

Para a safra (colheita) de 2020 calcula-se que serão recolhidas 34 milhões de toneladas de soja, plantadas em 9,82 milhões de hectáres, só no Estado do Mato Grosso: uma superficie equivalente ao Pernambuco ou a Santa Catarina inteiros….sem uma árvore, sem um animal…apenas com soja para exportar à China e à Europa.

Vídeo da estrada que percorre a região do Araguaia, a BR158, em seu passo pelo municipio de Ribeirão Cascalheira, com quilômetros e quilômetros de soja.

A relação é muito clara e não admite muita discussão:o modelo agroindustrial é a principal causa da destruição ambiental, social e económica da Amazônia.

4. O Incendiário

No marco desta situação e desta história, temos de acrescentar ainda as declarações, o clima criado e as políticas implementadas pelo governo Bolsonaro na Amazônia: as ações intencionalmente orientadas a promover e apoiar o modelo agroindustrial e a elimininar, portanto, as formas de vida alternativas, respeituosas com as pessoas e o meio ambiente, vem sendo impostas desde 2019 e deixando um rastro de destruição, discriminação, racismo e concentração de renda em toda a região.

O trabalho que se tinha conseguido fazer nos últimos 40 anos, de conscientização, de olhar a diversificação da produção como uma riqueza para a Humanidade, de re-plantar zonas que tinham sido desmatadas, etc, está seriamente ameaçado.

Bolsonaro tem eliminando os mecanismos financeiros que ajudavam à preservação da Amazônia e esvaziado os órgãos públicos que se dedicam à vigilância ambiental, animando o desmatamento e a grilhagem de terras.

Assim, sobre a base de uma história caracterizada pela distribuição desigual de terras, pela desigualdade e a pobreza, pela escassa presença do estado e pela implementação de um modelo produtivo baseado na monocultura da soja e da pecuária extensiva, temos que acrescentar agora as políticas públicas que encorajam os latifundiários, negam a destruição da natureza e criminalizam os Povos Indígenas e a Sociedade Civil organizada. É fácil entender, então, que temos a conjuntura perfeita que explica porque a Amazônia, o Pantanal ou Cerrado estão sendo destruídos como nunca.

Raul Vico. Associação ANSA e Associação Araguaia com o Bispo Casaldáliga.

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Carme e Maria Casaldáliga viram seu irmão Pedro partir para a Amazônia aos 40 anos. Nunca mais voltou para casa. Da Plaça Ricard Viñas nº 10, na cidade de Balsareny, onde a família mora, as irmãs de Pedro Casaldáliga nos contam como têm vivido os mais de 50 anos de vida dedicados à defesa dos mais pobres de seu irmão.

20 de outubro de 2020

A vida de Pedro Casaldáliga

[Entrevista realizada em julho de 2020, poucos dias antes do bispo Pedro falecer]

Pedro Casaldáliga, com 11 anos, ou mesmo antes, tinha clareza que queria ser padre. Como a família acolheu essa decisão de um menino de 11 anos?

Carme: Ele sempre dizia que queria ser padeiro, mas tinha um padre que frequentava o Cortès del Pi (uma casa rural onde moravam primos do Pedro) e contava muitas histórias e também coisas da Guerra Civil e isso fez ele decidir ser padre. Ao entrar no seminário de Vic, logo pediu para ser missionário claretiano. Escreveu uma carta aos nossos pais contando.

Carta que en Pere Casaldàliga envià a la seva família des del seminari

Carta do seminário para sua mãe, Montserrat Pla. Imagem: Família Casaldáliga. Seleção: Cercle Cultural de Balsareny.

Como era o Pedro durante sua infância? Parece que já sendo adolescente tinha muita firmeza em suas ideias.

Carme: Ele era brincalhão como as outras crianças daqui, mas ele não gostava de brigas de jeito nenhum. Aqui em casa vinham muitas crianças brincar no telhado porque era grande. Lembro-me dos irmãos do Cal Paquela (Bonet), dos Vilelles … E se havia brigas, ele sempre tentava fazer as pazes.

Pere Casaldàliga (al cercle) d'excursió

Excursão de Pedro Casaldáliga (no círculo) e seus amigos de infância. Imagem: Família Casaldáliga. Seleção: Cercle Cultural de Balsareny.

O seu tio Luís, que também era padre, foi assassinado durante a Guerra Civil Espanhola enquanto tentava se esconder. Diz-se que esse fato, somado ao vínculo que o Pedro mantinha com seu tio Luís, o influenciou no modo como enfrentou a vida. Foi isso mesmo?

Carme: Sim, com certeza. O fato do nosso tio Luís ter sido assassinado na guerra, aqui perto, foi decisivo para o Pedro.

Maria: Em casa, nossos pais e a família não queriam falar muito nesse assunto; mas o tio Luís era muito jovem (33 anos) e foi um grande impacto para toda a família.

Quando Pedro Casaldáliga partiu para o Brasil como missionário em 1968, como se despediu de sua família e vocês dele?

Carme e Maria: Ele se despediu de todos e foi visitar parentes de outros lugares. O Luís de Cal Pastisseret o acompanhou. A Mercè de Cal Pastisseret nos contou que estando em Candáliga [a casa rural da família], do alto da escada, ele disse: «Deixe-me olhar com atenção, pois nunca mais verei este lugar.»

Todos pensaram que ele voltaria em pouco tempo, mas ele nunca mais voltou. Só nos encontramos novamente em Roma vinte anos mais tarde.

A Antonia de Ca l’Arnaus e o tio Jaumet de Cal Peret sempre disseram que ele seria bispo. A Antonia usava sempre um anel e dizia que quando ele fosse bispo, aquele anel seria para ele. Eram muito amigos com a Antonia. Foi uma despedida muito familiar. Todos pensaram que ele voltaria logo, mas ele nunca mais voltou. Nos encontramos novamente em Roma vinte anos mais tarde.

Pere Casaldàliga celebra la seva primera missa com a capellà a Balsareny

Pedro Casaldáliga depois de celebrar a sua primeira missa -como padre- em Balsareny. Imagem: Família Casaldáliga. Seleção: Cercle Cultural de Balsareny.

Uma vez lá, no interior do Mato Grosso, em São Félix do Araguaia, ele realmente foi ciente da complicada situação daquela região. Como ele contava para vocês da situação de lá? Como vocês viveram esses primeiros anos dele no Mato Grosso?

Carme : recebíamos uma carta a cada dois meses ou às vezes demorava mais. Algumas não chegaram. Imediatamente vimos que a situação era muito difícil, pois ele nos contava nas cartas. A gente partilhava as cartas com os demais membros da família e também com os vizinhos. Aquelas cartas eram esperadas por todos!

Maria : Sobretudo quando encontrou tantas crianças mortas: isso ele nos contou logo. Só chegar lá, já deram para ele crianças mortas para sepultar.

A cada cinco anos eles poderiam vir; mas ele não o fez, porque se ele viesse não o deixariam entrar novamente.

Carme : Ele disse: «Tenho que ter muito cuidado agora, porque eles também querem me matar.» Mesmo assim, ele não falava abertamente nas cartas, pois sabia que as mesmas eram lidas pela ditadura. Também chegava informação dos padres que estavam com ele, Pedrito, José Maria, Manuel e de outras pessoas que viviam com ele e vinham nos visitar. Os vizinhos da praça onde moramos, ao verem uma pessoa desconhecida, falavam: «mais uma visita do Padre Pedro», e indicavam para eles a nossa casa. Às vezes eles iam para o Brasil de barco e aproveitavam para levar muitas coisas que precisavam. A cada cinco anos eles poderiam vir; mas o Pedro não veio, porque se ele deixava o Brasil, não o deixariam entrar novamente.

O Pedro sempre dizia que «o bom humor é amigo da esperança». Em muitas entrevistas ele expressa com alegria e cordialidade a sua mensagem de esperança em defesa da justiça, da liberdade, da paz e do amor. Esse jeito brincalão faz parte do DNA Casaldáliga? Ou é uma virtude que se manifestava e se acentuava no Pedro?

Carme : É o seu estilo. Ele sempre estava animado e alegre. O restante de nós não somos tão de brincar. Ele levava a alegria muito dentro.

Maria : Tem outras coisas que sim levava da família: o nosso pai também gostava muito de cinema e se interessava pela cultura. Ele lia o jornal todos os dias. Varias vezes foi ao cinema em Manresa e até ia caminhando para a Biblioteca de Sallent, pois aqui não tinha.

Sabíamos que havia repressão e que havia perigo, mas a notícia da morte de João Bosco nos assustou ainda mais.

O assassinato do mártir João Bosco em 1976, quando foi confundido com o bispo Casaldáliga, além de ter causado indignação e tristeza; fez vocês perceber de uma maneira diferente as ameaças que o Pedro teve que enfrentar?

Maria : Nos primeiros anos já vimos que as cartas eram lidas e por isso ele não colocava o nome de Casaldàliga, pois teriam ficado com elas. Já vimos que havia repressão e que havia perigo, mas quando ficamos sabendo da morte de João Bosco sentimos muito mais medo. Pensávamos muito nisso, mas infelizmente, não podíamos fazer muito…

A vovó sofreu muito com o fato de seu tio não ter voltado e ela estar tão longe. Quando ela já estava muito desorientada, muitas vezes a ouvíamos gritar da sala: “Peter, Peter …!

Se passaram 20 anos desde que seu irmão Pedro foi embora de Balsareny e se encontraram por primeira vez em todo esse tempo em Roma. Como foi esse encontro?

Carme: Foi muito emocionante. A gente sempre o levava no pensamento, mas ter a oportunidade de se encontrar novamente com ele… faltaram dias. Além disso, como somos muitos na família, todos queríam estar com ele e falar com ele. Partilhamos muitas lembranças e conversamos muito. Em um restaurante onde almoçamos, nos contou que nunca mais tinha comido berinjela…

Sobrinhas:  Fazia muitos anos que não o víamos e algumas de nós nem o conhecíamos: era a primeira vez que o víamos. Foi um reencontro e logo se fez muito próximo, como se tivéssemos nos encontrado recentemente, pelo jeito que ele era e também porque se falava muito dele em casa: a nossa avó falava dele todos os dias.

Pere Casaldàliga amb la seva mare, al nadal de 1966

Pedro Casaldáliga com a mãe, no Natal de 1966. Imagem: Família Casaldáliga. Seleção: Cercle Cultural de Balsareny.

Carme: A mãe pedia para as meninas fazer uma prece: «Santo Antônio do porquinho, ajudai meu pai; Santo Antônio Maria Claret ajudai meu tio». Nós sabíamos que ele queria estar lá no Mato Grosso; sabíamos que era isso que ele gostava e sempre o apoiamos.

Maria: Quando minha mãe estava muito doente e muito confusa, lembro que um dia, vendo uma foto que tínhamos do Pedro, ela começou a dizer: «Esse Pedro, esse Pedro … , que nunca vem nos visitar!»

Sobrinhas: a vovó sofreu muito com o fato de seu filho não ter voltado e ela estar tão longe. Quando ela já estava muito velinha, muitas vezes a ouvíamos chamar ele do quarto: «Pedro, Pedro, …!».

 

Entrevista feita por Jordi Vilanova e publicada na revista El Sarment em julho de 2020

 

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