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As 7 atitudes necessárias para viver a «Ecologia Integral»

Estas são algumas das pistas essenciais para alcançar “transformações da consciência”.

Atitudes profundas que emergem de outra visão sistêmica, inteiramente ecológica, que ajuda a salvar a vida e o planeta.

14 de abril de 2020

As causas de Pedro Casaldáliga

1. SUPERAR O AMBIENTALISMO

Em geral, muitas pessoas, empresas, ONGs e até governos estão preocupadas/os com o meio ambiente e a ecologia. São as que costumamos chamar de ambientalistas, comprometidas/os com a preservação do meio ambiente, da natureza, do planeta… Chamamos de “ambientalismo” essa atitude que, felizmente, está crescendo nos últimos anos. Porém, agora urge ir além do ambientalismo e passar a uma atitude de “ecologia integral”. Qual é a diferença entre as duas?

Ambientalismo, atitude ecológica incompleta

Os ambientalistas atuam como bombeiros, apagando incêndios: hoje reivindicam que um parque seja declarado nacional, amanhã protestam contra a construção de uma represa, no dia seguinte contra a mina e assim por diante. É ótimo que façam isso! Uma ação essencial, porém não é suficiente e não resolve os problemas; simplesmente cura sintomas, embrulha em esparadrapos, permitindo que o problema principal, a causa mais profunda, continue.

Vista do rio Araguaia ao passar por São Félix do Araguaia, no estado de Mato Grosso, Brasil.

A atitude superficial identifica os problemas ecológicos naquilo que impede o funcionamento da “sociedade moderna desenvolvida” (esgotamento ou contaminação dos recursos naturais, desastres, etc)

A atitude superficial identifica os problemas ecológicos naquilo que impede o funcionamento da “sociedade moderna desenvolvida” (esgotamento ou contaminação dos recursos naturais, desastres, etc). Não quer questionar o mito o desenvolvimento ilimitado, do crescimento econômico constante…

Assim, mentalmente, o ambientalismo continua dentro do sistema, derivado da mesma mentalidade que causou os problemas ecológicos. Propõe uma política de soluções que não erradicam o mal, mas simplesmente tratam de aliviar as consequências e, com isso, o prolongam.

Atitude ecológica radical

Outra atitude é a de cunho radical, pois quer ir à raiz do problema. As várias correntes ecológicas com essa orientação se assemelham ao identificar a raiz nas ideias e representações que possibilitaram a depredação da natureza e levam o mundo ocidental à autodestruição.

Esta é a raiz do problema, porque é a raiz do sistema que o causou.

Por isso, os ecologistas propõem lutar por uma mudança nas ideias profundas que sustentam nossa civilização e configura a forma de relação com a natureza, relação que levou ao desastre atual e a uma possível catástrofe.

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A atitude ecológica radical implica uma crítica aos fundamentos culturais do Ocidente. Questiona fundamentalmente:

a) a primazia absoluta que damos aos critérios econômico-materiais para medir a felicidade e o progresso;

b) a crença na possibilidade de um crescimento constante e ilimitado na economia, em luxos e na população humana, como se não houvesse limites ou não os estivéssemos ultrapassando;

c) a crença de que a tecnologia e o crescimento solucionarão todos os problemas;

d) o absurdo de uma economia que quantifica tudo, exceto os gastos ecológicos e, sobretudo, a ignorância quanto à complexidade da vida, a sacralidade da matéria e a força espiritual do Universo.

A forma tradicional de pensar e o paradigma antiquado, que tem raízes filosóficas e até religiosas, posicionaram-nos historicamente em guerra contra a natureza, contra a biodiversidade, contra os bosques, os rios, a atmosfera, os oceanos.

Somente mudando a forma velha de pensar nos reconciliaremos com o planeta. Se não erradicamos a forma de pensar, razão pela qual estamos destruindo o planeta, as atitudes ambientalistas serão inúteis, apagando incêndios causados por uma mentalidade, deixando que siga em pé a mentalidade velha, causando desastres ecológicos todos os dias.

A maioria dos incêndios na Amazônia são provocados para “abrir” novas áreas de criação de gado ou de plantio de soja, destruíndo vegetação milenar e contaminando a atmosfera. Fotografia: no assentamento Dom Pedro, aqui no Araguaia. Queimada de 2019.

Visão holística

Uma visão nova, não antropocêntrica, mas holística: o ponto de vista agora é a partir do todo (natureza), e não a partir da parte (o ser humano). E acreditamos na primazia do todo sobre a parte. 

O humanismo clássico postulava que o ser humano era o único portador de valores e significado e que todo o resto era matéria bruta a seu dispor. É uma visão enormemente equivocada, que nos colocou contra a natureza e que precisa ser erradicada.

Somente se abordarmos uma “reconversão ecológica” de nosso estilo de vida, de nossa mentalidade, incluída a espiritualidade, estaremos no rumo do “retorno à Casa Comum”, à Natureza da qual nos exilamos indevidamente em algum momento do passado..

Captar as razões mais profundas, os motivos que vão à raiz e descobrir a ecologia como caminho integral de sabedoria para a própria realização pessoal, social e espiritual significam chegar a descobrir a “ecologia integral”, para viver a comunhão e a harmonia com tudo o que existe e tudo o que somos em plenitude, sabendo-o e saboreando-o, de forma integralmente ecológica, sem recair em atitudes breves, simplesmente ambientalistas, no meio do caminho.

Somente se abordarmos uma “reconversão ecológica” de nosso estilo de vida, de nossa mentalidade, incluída a espiritualidade, estaremos no rumo do “retorno à Casa Comum”, à Natureza da qual nos exilamos indevidamente em algum momento do passado.

2. UMA NOVA COSMOLOGIA

O mundo que conhecemos hoje é totalmente diferente do mundo que pensávamos que era. É um “outro mundo”. E por causa disso, nós, que somos parte e resultado dessa nova visão de mundo, acabamos sendo algo diferente do que pensávamos.

A partir da nova visão que a ciência torna possível hoje em dia – pela primeira vez na história da humanidade –, é preciso agora “reconverter tudo”, reelaborar e reformular aquilo em que até agora acreditávamos – nossa ideia do mundo, do cosmos, da matéria, da vida, de nós mesmos, do espiritual. Tudo é diferente a partir da nova visão.

Temos que nos reinventar, recriar, é hora de reconverter a partir de uma nova visão da ecologia integral.

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3. UMA NOVA VISÃO DO MUNDO

As pessoas e a sociedade ainda são portadoras da visão tradicional de mundo, que o concebia como um aglomerado de objetos (não comunidade de seres vivos, nem mesmo como um quase organismo vivo).

Durante os últimos séculos, foi inteiramente dominante a divisão cartesiana da realidade em coisas materiais, extensas (físicas, inanimadas, materiais, organizadas mecanicamente) e entidades espirituais, pensantes, com consciência, incorpóreas.

Todo o mundo extenso estaria composto de matéria, essa realidade física compacta, inanimada, passiva, sem vida, estéril por si mesma. Os animais não deixariam de ser máquinas bem organizadas, porém desprovidas de entidade mental ou espiritual. Tudo seria objeto, todo um mundo de objetos, no que estaríamos decepcionantemente sozinhos, sem ninguém com quem partilhar fora de nós mesmos.

Há somente uma árvore genealógica no planeta, que agrupa e inclui todos os seres vivos (humanos, inclusive).

Outra visão da vida

A visão tradicional que temos dos demais seres vivos é de seres inferiores, classificados em espécies e famílias separadas, “criadas” de um modo fixo e estável desde o princípio, independentes, sem parentesco. Hoje, as ciências ecológicas dão uma visão totalmente diferente.

Sem que saibamos ainda se a vida brotou em nosso planeta ou chegou aqui trazida por meteoritos, o que parece certo é que toda a vida do planeta está emparentada. Somente uma, porque é a mesma, mas evoluída com uma criatividade inimaginável.

Não existem famílias vegetais e animais soltas, independentes, que partilham somente aparências externas. Na verdade, todos os seres vivos são membros de uma mesma e única família. Há somente uma árvore genealógica no planeta, que agrupa e inclui todos os seres vivos (humanos, inclusive).

A biosfera

Não é um aglomerado de seres vivos amontoados na superfície do planeta. Mas uma rede de sistemas, de sistemas de sistemas, interdependentes, retroalimentados, que dependem de interações de variáveis sutis que mantêm estáveis os equilíbrios do que depende o bem-estar comum.

A hipótese “Gaia”, de James Lovelock, fez pensar: o planeta azul, revestido da capa sutilíssima de vida, a biosfera, está vivo, a seu modo; porém mantendo o substancial do que chamamos “ser vivo”: uma capacidade auto-organizativa e autorreguladora que permite a continuidade estável da vida dentro de seus limites, sem deteriorar-se, mantendo-se contra o tempo.

Para os povos indígenas, a separação entre pessoa-sociedade-natureza-cultura-espiritualidade é impensável. Tudo está relacionado e faz parte do mesmo conjunto. Fotografia: menino do Povo Xavante, na aldeia Marãiwatsédé. Articulação Xingu Araguaia (AXA).

4. UMA NOVA VISÃO DE NÓS MESMOS

Desde muito tempo atrás, os seres humanos nos consideramos como “outra coisa”, algo diferente de tudo o que existe no mundo, seres infinitamente superiores, e por isso com direito ao domínio absoluto sobre tudo o que existe na Terra.

Viemos de cima (de Deus), não de baixo (da Terra); de fora deste mundo (somos espirituais e imortais), não de dentro. Porém, as modernas ciências cosmológicas veem as coisas de outro modo.

Para compreender e expressar isso, criamos crenças e mitos religiosos com fins de “justificação”: teríamos sido criados por Deus separadamente, no sexto dia da criação, “à sua imagem e semelhança”; apenas nós. Viemos de cima (de Deus), não de baixo (da Terra); de fora deste mundo (somos espirituais e imortais), não de dentro. Porém, as modernas ciências cosmológicas veem as coisas de outro modo:

Somos terra

Não viemos de fora, mas de dentro: ou seja, viemos da terra. Nosso corpo é feito de átomos de elementos que não são eternos, com data de fabricação, elaborados pelas estrelas, na explosão das supernovas, que permitiram a aparição – pela primeira vez – do cálcio para nossos ossos, do ferro para nosso sangue, do fósforo para nosso cérebro.

Não viemos de cima, não caímos como um pacote pronto e preparado, mas somos uma espécie emergente, formada por evolução a partir de outras que nos antecederam.

• Nosso corpo, observado com olhos ecológicos que saibam ver, fala claramente de uma longa história evolutiva, de cujos êxitos ela guarda marcas em quase cada um de seus traços.

Nossa reflexão, nossa espiritualidade, e talvez a atual secularidade e pós-religiosidade são a evolução da Terra e da Vida além da evolução biológica e genética, além da evolução cultural. É a Terra e a vida que lhe dão alento, que vivem e se expressam em nós e nos transcende.

Questionarmos tudo isso e requestionarmos a velha forma de nos percebermos separados do mundo, superiores a ele, alheios a tudo o que é cósmico e ecológico significam que estamos voltando à nossa casa, ao nosso lar ecológico, de onde nunca deveríamos ter partido. É voltar a pôr os pés na Terra, no solo da Vida.

No assentamento Dom Pedro, a 100 km de São Félix do Araguaia, estamos construíndo um modo de vida junto à natureza. Cerca de 100 famílias fazem parte deste projeto. Fotografia: Associação ANSA

5. NOVA VISÃO, TAMBÉM DA ESPIRITUALIDADE

A Ecologia Integral é uma forma de observar (paradigma) que incorpora o marco da natureza: considerados parte da natureza, do mundo, da realidade cósmica. Também aquilo que é espiritual e religioso? Sim. Tudo.

Tradicionalmente nem sempre foi assim. Considerava-se que o espiritual era totalmente diferente do mundo material. O espiritual era o não material, o não corpóreo, o não terrestre. Acreditávamos que o espiritual pertencia a outro mundo, o mundo celestial, chamado de sobrenatural. O dualismo era considerado dado, separação radical entre os dois âmbitos.

A Eco-espiritualidade produz um sentido de pertencimento à Natureza, à Terra, à Vida, ao Universo, ao Todo Misterioso.

Ecoespiritualidade: experiência espiritualual

A ecoespiritualidade não é um saber intelectual, um conjunto de ideias, mas um saber-sabor cordial, processado com a inteligência ecossensível, com o coração.

É uma experiência de admiração extasiada da beleza assombrosa do cosmo percebida como verdadeira epifania do mistério.

Experiência contemplativa, transformadora, unitária, regozijante e, ao mesmo tempo, de êxtase, que nos extrai de nós mesmos e nos transporta a um mundo inefável. Ela produz um sentido de comunhão no dual (não estamos separados do Mistério, que nos arrebata e extasia), e com ele um sentido de pertencimento à Natureza, à Terra, à Vida, ao Universo, ao Todo Misterioso.

Não é preciso nos afastarmos do mundo (ao contrário!) e nem nos submetermos a um processo de iniciação complicado: tudo isso está ao alcance de qualquer um que o realize.

Ecoespiritualidade e práxis

Ver e sentir de outra forma leva, inevitavelmente, a agir de forma diferente. Olhos que veem, coração que sente e mãos que atuam. Sentirmo-nos pertencentes à Terra nos leva a defendê-la como se fosse o próprio corpo, como a nossa Casa Comum.

Recuperar uma espiritualidade ecocentrada, livre da alienação milenar que fez nos sentirmos mais como filhos do céu do que da Terra, a única esperança para salvar a Vida e o Planeta, porque deixaremos de destruir a Terra apenas quando sentirmos seu caráter sagrado, e nos sintamos integralmente parte de seu Corpo divino.

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6. RECONVERSÃO ECOLÓGICA E REVOLUÇÃO CULTURAL

A cada dia, os meios de comunicação apelam ao “crescimento econômico”, como o único que importa. Crescer na renda econômica, no dinheiro, à custa do que quer que seja. É um discurso hegemônico em nossa sociedade.

Como no conto de Andersen: já tem bastante gente que intui o que é falso, que é precisamente o contrário do que estamos necessitando – não tanto crescer, quanto simplesmente desenvolver-nos, quer dizer, organizar-nos melhor, distribuir mais equitativamente, e deixar de destruir nosso próprio habitat, cuidar de nosso nicho ecológico, romper com hábitos e luxos supérfluos e daninhos. E, sobretudo, mudar o padrão energético atual.

Dizer que ainda há esperança e que ainda há tempo para mudar de direção é esconder que a catástrofe está aqui na frente. Daqui a “quatro dias”, geologicamente falando.

Temos que dizer a verdade: é uma emergência

Digamo-nos a verdade: já estamos à ladeira escorregadiça abaixo, em que os freios não obedecem e é praticamente impossível deter-se. Estamos defendendo a catástrofe. Só na teoria seria possível parar: na prática, na realidade, não o é. Dizer que, todavia, há esperança e que há tempo para corrigir a direção… na maior parte das pessoas que o dizem, é o desconhecimento, falta de rigor no planejamento, e talvez medo de parecer pessimista, ou boa intenção para não desanimar as pessoas, pensando que, com estímulos positivos, reagirão melhor, do que dizendo-lhes a verdade amarga da catástrofe que já temos aí adiante, dentro de “quatro dias”, geologicamente falando.

Sejamos realistas e digamos a verdade: já estamos na 6ª grande extinção, no caminho certo que conduz à grande catástrofe. Outra coisa é que, teoricamente, se poderia parar… Mas a realidade é que levamos uma grande inércia, que nos faz dificílimo parar, e para agravar, não estamos convencidos da necessidade de fazê-lo, nem estamos dispostos a assumir os grandes sacrifícios que teríamos de fazer para conseguir ir freando e, finalmente, determos na estrada até a catástrofe.

Só se mudarmos muito, muitíssimo, e só se o fizéssemos muito rapidamente, poderíamos evitar essa catástrofe, que agora mesmo é o mais provável.

Só se conseguirmos fazer uma reconversão sócio-politico-produtiva descomunal de nossa sociedade, e uma transformação radical de nosso estilo de vida, de nosso padrão energético e de nosso sistema de produção, poderíamos deter o desastre.

Só se mudarmos muito, muitíssimo, e só se o fizéssemos muito rapidamente, poderíamos evitar essa catástrofe, que agora mesmo é o mais provável. Se não o conseguirmos, ou – o que é pior – se simplesmente não fazemos nada – ainda que seja sem deixar de “falar” no assunto – a catástrofe está garantida. Continuar tendo medo em dizê-lo é um erro. Temos que dizê-lo.

Os povos indígenas “sentem a sacralidade da terra”. É por isso que valorizar e lutar pela preservação de sua cultura e visão de mundo também é um compromisso com a vida. Fotografia: Associação ANSA.

7. ECOLOGIA INTEGRAL NA PRÁTICA

Com toda a visão ecológica crítica a que hoje chegamos, é obvio que temos que mudar. Se sabemos que o mundo não é como havíamos imaginado; se nos sentimos de outra maneira; se percebemos que nossa conduta errada nos submeteu a um caminho de autodestruição, é urgente sermos coerentes com a nova visão integralmente ecológica.

Abandonar o atual modelo civilizacional, voltado inteiramente ao pós-“crescimento econômico”, contrário ao planeta e ao custo da vida – que já esgotamos e continuamos destruindo, na nova extinção massiva que inauguramos –, e colocar em marcha um novo sistema econômico integralmente funcional à conservação e ao crescimento da vida, e ao Bem Viver da humanidade em harmonia com nossa irmã e Mãe Terra. Eis a grande transformação que urge ser colocada em prática.

Com os novos fundamentos teóricos (a nova Visão que a Ciência permitiu) e com a força interior que nos dá a nova sensibilidade espiritual relacionada à natureza, podemos/devemos colocar em marcha novas práticas integradas com a visão integralmente ecológica. Temos que assumi-las com plena convicção, em nossa própria vida em primeiro lugar, e tratar de difundi-las militantemente.

Ja no hi ha temps per discutir, només urgeix tallar radicalment l’emissió de més CO2. S’ha de reduir dràsticament l’ús dels combustibles fòssils.

Uma mudança radical do sistema energético

Obviamente nos é essencial a energia para viver, e na Terra, e principalmente nos raios do sol, existe mais do que suficiente, abundantemente. O problema é que sem saber disso, construímos nossa civilização sob a energia do carbono, cujo dióxido (CO2) somente muito mais tarde soubemos que envenena a atmosfera e produz o efeito estufa. Já está em curso há tempos, e hoje sabemos que avança perigosa e, sem dúvida nenhuma, esses últimos anos tem sido os mais quentes de que se tem conhecimento. Não temos tempo de ficar discutindo, é urgente acabar totalmente com a emissão de mais CO2. É preciso reduzir drasticamente o uso dos combustíveis fósseis (petróleo, gasolina, gás, carvão) em favor de energias limpas e renováveis.

La consigna principal és viure amb austeritat, sense luxes innecessaris, sense nivells de vida ofensius per a la immensa majoria de la població mundial, que viu en la pobresa. Eradicar en mi el consumisme.

Uma mudança de estilo de vida

Muitas pessoas, em diversos lugares, fazendo coisas pequenas, em todos os aspectos da vida, marcarão uma mudança profunda na vida do planeta. Com isso, darão início a uma civilização nova, civilização da austeridade compartilhada e do Bem-Viver e em harmonia com a Mãe Terra:

•  Viver com austeridade, sem luxos, sem níveis de vida ofensivos para a imensa maioria da população mundial, que vive na pobreza

•  Erradicar o consumismo. Não comprar o que não é indispensável. Não querer sempre “o último modelo”. Zero de gastos inúteis. Não à dieta obsessivamente carnívora. Não às comodidades não essenciais e invertê-las em favor da ecologia.

• Utilizar menos água quente.

•  Zero de comida jogada ao lixo.

•  Apagar as luzes não indispensáveis, não utilizar o standby dos eletrodomésticos. Não comprar novos aparelhos quando não nos sejam imprescindíveis.

•  Os “5 Rs”: reutilizar, reduzir, recuperar, reciclar, regular, confere no google.

Trata-se de uma “transformação ecológica” e de uma “revolução cultural”: tudo é diferente, a única saída. O velho estilo de vida se torna “ecocida”: se não nos convertermos, nos suicidamos.

Uma opção pelo decrescimento

O “decrescimento” é uma correção do estilo de vida hoje urgente para retornar parte do caminho percorrido na autodestruição do planeta. É um tema delicado, pois há muitos inimigos, que esbarram em um dos “dogmas” mais sensíveis do sistema econômico, o do “crescimento contínuo, ilimitado”.

Mas em um planeta finito, em que já ocupamos muito do que ele precisa para repor nosso consumo, defender um crescimento ilimitado torna-se insustentável. Continuar reivindicando o crescimento ilimitado para dar a toda população mundial o nível de vida atual dos países desenvolvidos implicaria poder dispor de vários planetas; porém somente temos este. Pretender continuar crescendo desse modo é optar por auto asfixiar-nos.

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Nova visão, integralmente ecológica

Para uma boa prática, duas mudanças são prévias:

Mudança de pensamento: olhos que não veem, coração que não sente… A pessoa que ainda tem a velha imagem, que ainda está pensando que é um ser celestial que vive no meio de um mundo de meros objetos e animais inferiores, vai depreciá-lo, sem ter consciência das maravilhas que o rodeia no meio da Comunidade da Vida, e sem conhecer os mistérios insondáveis do Cosmos de que somos parte.

Mudança de espiritualidade: a espiritualidade tradicional olhava apenas o céu dos espíritos, não o mundo natural da Terra, e apenas nos remetia a textos sagrados espirituais. Parecia que uma pessoa era mais espiritual quanto mais se distanciava da Terra. Hoje estamos mudando; já intuímos que o espírito é inerente à matéria, que o mundo não é inimigo da alma e que podemos/devemos nos voltar à Terra como nosso lar espiritual.

Este texto é uma síntese da publicação na Agenda Llatinoamericana de 2017.

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